Voou. E daí?


Soem as trombetas. Acendam os fogos. Soltem a fumaça branca: Habemus caça! Tan tan tan tan tan... O Plantão do Jornal Nacional informa... Não. Não foi assim que aconteceu. Não teve fogos nem haverá parada militar. O primeiro voo do Gripado praticamente passou em branco na grande mídia. 

Quando Daniela Mercury resolveu sair do armário, foi assunto de horário nobre no JN. No entanto, nem uma palavra sobre o Gripen. Vai ver que é por isso que teremos Parada LGBT e não militar... Não é irônico?

Pela Web vimos alegria de alguns, mas parecia um suspiro aliviado. Como se o sujeito tivesse comprado às cegas um eletrônico pelo Mercado Livre e ligando ao receber, soltasse um "Graças a Deus que funciona!".

Mas afinal, não era para voar? Não era isso que esperávamos dele? Alguém ainda tinha dúvida? Não era uma aeronave nova. Era praticamente um "Block III" de algo que já voa desde dos anos 90. Porém ainda deu para ouvir bem fraquinho alguns gritos de #ForaGripen misturados com #ForaTemer...

Como diz meu amigo Alexandre F, comprar caça não é como comprar carro! Não é mesmo. Esta mais para um casamento sem direito a divórcio ou anulação. Mesmo que o pessoal da operação zelotes entre na igreja, o padre não vai interromper a cerimônia. A FAB vai casar com o Gripen. Aceita que doi menos.

Mesmo que os outros pretendentes fossem melhores, mesmo que não seja o genro dos seus sonhos, a escolha foi feita e você não pode fazer nada a respeito. No máximo desejar que sejam felizes e nos tragam muitos netinhos.

Porem não existe o "Felizes para Sempre". Alguns casamentos duram mais e outros menos. Na década de 70 a FAB casou com o Mirage III. Uma relação de amor e ódio, com rupturas momentâneas, seja por conta dele ou dela, mas que durou mais de 30 anos. 

Já a relação com o F-5 começou na mesma época, esta durando até hoje e provavelmente vai completar bodas de ouro. Devo entender, então, que apesar de serem aeronaves de funções diferentes, para o perfil da FAB, o casamento com o F-5 foi mais feliz?

Sendo assim, eu espero que com o Gripen aconteça a mesma coisa e que ele voe pelo menos por uns 40-50 anos nas cores da FAB para compensar o investimento. Não vejo problema com o noivo, o que me assusta é que ninguém sabe o que se passa na cabeça da noiva...

Uns dizem que a compra de 36 Gripens é para substituir os Mirages III, outros falam que o gripado veio para substituir também o AMX e o F-5. O gozado é que ambos os grupos se apegam ao texto da Estratégia Nacional de Defesa para justificar seus argumentos. 

Enquanto isso a FAB fica em silêncio deixando todo mundo doido. O que a FAB pretende? Um misto Hi-Lo ou apenas um caça Multi função para tudo? 

Para muitos o gripado se encontra na mesma categoria do F-16 e do Mirage 2000 porém com uma eletrônica mais nova. Sendo assim, aqueles que criticam o caça gostariam de vê-lo como um Lo, junto com algo mais "foderoso", como vemos na França o Rafale com Mirage 2000 ou a dobradinha F-15/F-16.

Outros acreditam que para quem é, está bom demais! Olham para o Chile com seus F-16 e se sentem felizes com seus Gripados. Esquecem, no entanto, que ao norte a "Venezuera" tem um Hi/Lo Flanker/F-16... 

Mas o que todos concordam? O que é consenso entre os críticos e os fãs da aeronave é que 36 unidades é pouco. Será que ninguém da FAB vai comprar essa briga ou vão ficar quietos só por causa de um aumentozinho de salário?