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O Satélite brasileiro foi superfaturado?


Por esses dias acabei vendo uma matéria pelas redes sociais que alertava para o fato do nosso satélite ser um dos mais caros do mundo. De imediato não estranhei, afinal, estamos acostumados com a questão do custo Brasil, mas como alguém sai falando isso?

Sair comparando com o custo de satélite indiano como fez o autor da referida matéria não parece ser um bom caminho, afinal em 2014, a índia já tinha surpreendido o mundo com uma missão para Marte a 10% do custo da missão americana, mas barato até que orçamento do filme GRAVIDADE.  Por isso resolvi ver o que a Web anda falando disso.

Em junho do ano passado, os caras do site The Motley Fool, por exemplo, passaram alguns meses investigando só o custo do lançamento e viram uma grande variação de custos entre as principais empresas que oferecem veículos lançadores ao mercado. 

Os custos encontrados dependiam do veículo utilizado, da finalidade da missão, da carga trasportada, enfim, uma série de parâmetros que para facilitar plotamos na planilha abaixo:


Isso só para se falar de custo de lançador no ocidente. Não temos os custos de lançadores rivais da Rússia, China e Índia. Mas devo alertá-los de que o custo desses lançamentos são "divididos" entre os vários clientes que contratam o mesmo serviço, isto é, um veículo lança com lançamento de satélites há mais de 40 anos.dor pode por em órbita um satélite principal de um cliente e uma dezenas de pequenos nano-satélites de outros interessados. 

Já pensando nos futuros veículos lançadores, o site ainda resumiu os custos por tonelada da seguinte forma:



Considerando que o nosso satélite tinha 5,8 toneladas e que foi utilizado o veículo Ariane, só o seu lançamento deve ter custado algo em torno de um 100-120 milhões, mas e o equipamento?

Pensando no satélite, a Global Com diz que um equipamento para monitorar furações sairia pelo menos por 290 milhões de dólares. Acrescente mais 100 milhões se desejar que esse equipamento tenha um sistema de detecção de mísseis. O site ainda fala superficialmente sobre outros custos, mas fica difícil acompanhar o raciocínio, sem ser um especialista na área.

O que sabemos é que o nosso equipamento terá uma banda Ka que será utilizada para comunicações estratégicas do governo e uma banda X, que corresponde a 30% da capacidade do satélite, de uso exclusivo das Forças Armadas.

Com tantas variáveis fica bem difícil estabelecer comparações de custos para dizer o quanto o nosso equipamento foi superfaturado. Se é que foi... 

No entanto, o "jornalista" que lançou essa dúvida na nossa cabeça faz muitos paralelos com a Índia mas em nenhum momento cita que o indianos tem um programa espacial bem sucedido há mais de 40 anos, com diversos lançamentos de satélites. Nem ao menos pagam para uma empresa lançar.

Tão pouco o dito jornalista explica que, no nosso caso, o contrato foi assinado em 2013 por R$ 2,8 bilhões mas envolve a famigerada transferência de tecnologia , algo que por si só não dá para mensurar. 

Por fim, é um grande erro comparar custos com satélites que não foram projetados para cobrir uma área tão grande quanto a nossa, nem pelo mesmo tempo para o qual o nosso foi construído.

Como diz a minha esposa de noite: O que importa é que o bicho subiu! E que fique por lá pelos próximos 18 anos como esta previsto.  Se houve algo mais $$$$, a Lava Jato tai pra isso.

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