A maldita questão dos dois motores


Este final de semana esta acontecendo o Abbotsford Air Show. O maior evento aéreo canadense que acontece anualmente no segundo final de semana do mês de agosto. Duas das maiores empresas aeroespaciais do mundo, Boeing e Lockheed, estão mostrando seus caças na esperança de vendê-los como substitutos para a frota de Hornets da Royal Canadian Air Force.

Os pilotos da Boeing estão fazendo o seu papel de vendedores e falaram à mídia que o Super Hornet é mais seguro que o F-35 por ter dois motores. Se um for desativado por conta de um um pássaro, por exemplo, o outro continuará funcionando. Será que realmente é tão simples assim?

Recentemente vimos três Hornets caírem nos EUA e parece que dois motores não ajudaram muito nessa hora. As autoridades se queixaram da falta de uma manutenção mais adequada e da diminuição das horas voadas para treinamento devido aos cortes no orçamento.

Não quero entrar na discussão do SH ser melhor ou não que o F-35. O que me interessa é a questão dos motores. Cresci vendo os nossos Mirages III caindo e sinceramente, isso me deixou meio traumatizado. Várias unidades tiveram que ser adquiridas posteriormente para completar a frota. 

Posso estar enganado, mas proporcionalmente, não tivemos tantas perdas de F-5. Queixei-me a um jornalista especializado da falta de um texto realmente esclarecedor sobre o assunto. O que vemos por ai é uma série de comentários informais de pessoas não necessariamente habilitadas que ouviram por ai também de outras pessoas alguma história.

Mais uma vez quem poderia dar uma luz ao assunto se omite com a desculpa de que essas informações são estratégicas, afetam a segurança nacional e o resto do blá blá blá que todo mundo já sabe. Meu sonho seria clicar em um link e encontrar uma tabela relacionando todas as aeronaves da FAB, agrupadas por categoria, com sua respectiva matrícula e seu atual status...

Como curioso, tenho acompanhado os diversos acidentes de caças e vi mais monomotores caindo do que bimotores. Nos próximos anos receberemos novamente um delta monomotor e o trauma deixado pelo Mirage me faz sentir aquele frio na espinha. 

Sou obrigado a recorrer ao Google para encontrar um certo conforto. Comecei esse texto com uma visão e terminei com outra, porque felizmente na aviação civil existem órgãos que estudam muito essa questão da segurança. 

O que se sabe é que monomotores caem mais por existirem em uma maior quantidades. Por analogia isso explicaria a grande quantidade de F-16 e MiG-21 perdidos. Esses mesmos estudos da aviação civil dizem que o número de acidentes com mortes em bimotores é maior, mas o mesmo não pode ser aplicado para os caças militares (conclusão minha, desculpe pelo achismo em itálico).

A vulnerabilidade dos bimotores civis estaria no posicionamento de seus motores nas asas. Em caso de falha, aconteceria uma assimetria nas forças físicas envolvidas no voo.  Nos caças, as duas turbinas geralmente estão muito próximas ao eixo da aeronave e a tal assimetria de forças não é tão evidente.

Porem é unanime que bimotores geram custos de manutenção maiores. Também é consenso que o atual estagio de desenvolvimento da industria permitem motores mais confiáveis. Isso quem fala são os pilotos. Em vários textos da minha pesquisa encontrei gente falando que prefere um motor bem cuidado a dois motores mal mantidos. Também vi que a prevenção de acidentes esta mais relacionada com a operação da aeronave dentro do que está previsto nos manuais e normas de segurança.

Sendo assim, não é o número de motores que deveria me assustar, mas sim o uso de aeronaves velhas, com falta de manutenção e sem uma doutrina operacional. Se a carapuça serviu para alguém, eu sinto muito...

Agora me responda rápido: Quantas aeronaves do GTE da FAB sofreram acidentes nos últimos anos? Entendeu o meu medo ou quer que desenhe?