Pesquise no Site

O que aprender com os indianos


Imagine a seguinte situação: Você quer comprar casas e seu filho tem uma construtora, da qual você é sócio. Você não confia muito nos serviços prestados por ele, pois por diversas razões ele já descumpriu prazos. O que você faria? Contrataria outra construtora para lhe atender? Bom, pode parecer estranho, mas essa tem sido a filosofia sistemática do governo indiano.


Eu sei que meu exemplo é muito simplista, para não dizer simplório. Uma série de outras questões devem ser consideradas, mas desconsiderem o meu nacionalismo besta. Concordam que a indústria nacional deveria ser melhor aproveitada?

Nem tudo na Índia leva anos para ser desenvolvido. A indústria de lá não se limita a Tejas ou Kaveri. O programa LCA de Helicópteros de Ataque Leve, por exemplo, foi muito bem sucedido. No entanto, a Índia preferiu adquirir o ano passado Apaches americanos, sem ao menos envolver a HAL com alguma cláusula de transferência de tecnologia.

Aqui no Brasil a transferência de tecnologia as vezes é criticada por encarecer os contratos de aquisição de material bélico. No caso dos Helicópteros Caracal sempre é citado a posterior aquisição da Helibras pela Eurocopter como um "exemplo de enganação" da tal transferência.

No entanto, cabe lembrar que a HAL é uma estatal. Não correria esse perigo. Alias, segundo amigos indianos esse seria o seu grande pecado. Estatal em país pobre é sinônimo de má gerencia e favorecimento de amigos. Não importa o lugar. O problema se complica quando se tem um sistema de castas na sociedade.

Por outro lado, quando se privilegia sempre a indústria nacional, fechando a possibilidade de concorrência externa, chega-se a o extremo da reserva de mercado. Tivemos também uma amarga experiencia com isso, que representou anos de atraso na indústria da informática com produtos obsoletos e caros.

Então, qual a solução? Entre os extremos de "se virar com a porcaria do produto nacional" e a "compra direta de um produto de prateleira" que só aumenta a dependência externa, a maldita e mal falada Transferência de Tecnologia, com todos os seus defeitos ainda parece ser a melhor solução para o impasse. Como remédio complementar, para o  caso indiano, uma privatização da HAL a la Embraer, também cairia bem.

Porém, voltando ao nosso exemplo, de nada adianta pagar caro por uma transferência de tecnologia se não houver uma continuidade na produção e desenvolvimento de um produto. Se hoje, por exemplo, quiséssemos voltar a produzir o AMX teríamos o ferramental? Teríamos a mão de obra qualificada que foi utilizada anteriormente?

Semana passada, circulou uma notícia e eu mesmo compartilhei um livro, que analisava a indústria aeroespacial de Taiwan. No texto era colocado a preocupação em se perder o conhecimento obtido com a produção do seu caça nacional (AIDC F-CK-1 Ching-kuo) com a aposentadoria dos engenheiros que participaram do projeto.

Outro exemplo mais distante é o Canada que outrora tinha sua própria industria aeroespacial de defesa mas preferiu negligenciá-la privilegiando apenas o setor civil.

Que exemplos podemos tirar da história da Engesa? Hoje ela faz falta? Qual será o futuro da Avibras?

Chega. Muita divagação e incerteza para uma noite de domingo...

Leitura sugerida: Outlook India, The Canadian Encyclopedia
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...