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Quinze anos após queda do Concorde, corrida por avião supersônico continua


Joia tecnológica e símbolo de um prestígio obsoleto, o Concorde foi um fracasso comercial bem antes de seu único acidente, em 25 de julho de 2000, perto de Paris, que precipitou sua retirada do mercado - sem, contudo, desencorajar fabricantes de aeronaves fascinados por viagens supersônicas.

Uma bola de fogo no céu. Danificado pela explosão de um pneu na decolagem, o Concorde AF4590 da Air France para Nova York decolou do Aeroporto Paris-Charles de Gaulle com um longo rastro de chamas. Menos de dois minutos depois, a aeronave caiu sobre um hotel em Gonesse, em Val-d'Oise. Saldo: 113 mortos.

Uma tira de titânio deixada na pista pouco antes por um DC-10 da Continental Airlines é considerado por investigadores como o gatilho para o acidente. Condenada em primeira instância, a empresa norte-americana foi absolvida em segunda instância, assim como os demais acusados. A justiça encerrou o caso em outubro de 2013, sem culpado designado.

O processo, no entanto, revelou que a fragilidade dos pneus do Concorde era conhecida de longa data e que seis incidentes semelhantes tinham ocorrido "sem que as medidas necessárias fossem tomadas", e algumas investigações sendo alvo de "pressões políticas".

Menina dos olhos da aeronáutica franco-britânica, desenvolvido nos anos 60 pela Sud-Aviation (ex-Aerospatiale, hoje do grupo Airbus) e pela British Aircraft Corporation (agora BAE Systems), o avião supersônico não poderia ser deixado de lado por razões técnicas. Questão de prestígio nacional.
O dispositivo foi, no entanto, um fracasso comercial: apenas 14 exemplares vendidos - sete para a Air France, sete para a British Airways, as duas únicas empresas que mantiveram suas encomendas após a crise do petróleo de 1973.

Guloso em querosene e de manutenção cada vez mais cara, o supersônico usado por empresários e jet-setters era pouco rentável. A crise nos transportes aéreos após os ataques de 11 de setembro de 2001 foi fatal. Apesar de uma tentativa de voltar a voar, o Concorde foi retirado de serviço em 2003 e virou peça de museu.

- Supersônicos silenciosos -

Este fim inglório não dissuadiu os fabricantes de aeronaves de desenvolver novos aviões supersônicos, menores do que seu antecessor e destinado a uma rica clientela.

O projeto mais avançado é o da americana Aerion Corporation, que se associou em setembro de 2014 à Airbus para desenvolver o AS2, capaz de transportar 12 passageiros de Paris a Washington em três horas, a uma velocidade máxima de Mach 1.5 (uma vez vez e meia a velocidade do som, que varia segundo as condições atmosféricas).

Enquanto espera o primeiro voo regular em 2019 e a certificação em 2021, a Aerion anunciou em maio um preço de catálogo de 120 milhões de dólares.

Sua compatriota Spike Aerospace trabalha, por sua vez, no S-512, que poderá levar 18 passageiros a uma velocidade de cruzeiro de Mach 1.6. Concebido sem janelas para uma melhor aerodinâmica, a cabine será equipada com telas reproduzindo em tempo real o que ocorre do lado de fora. Um protótipo deve ser lançado entre 2018 e 2020.

Ainda mais ambicioso, a britânica HyperMach visa uma certificação em 2021 de seu SonicStar, que deve chegar a Mach 4 com um consumo de combustível e ruídos inferiores ao Concorde, que voava a Mach 2.

A agência espacial japonesa (JAXA) também tem seu projeto de avião supersônico "silencioso", de 36 a 50 lugares, e participa paralelamente do projeto de avião apresentado pela EADS (hoje Airbus Group) no salão aeronáutico de Le Bourget em 2011.

Batizado ZEHST (zero emission high speed transport), esta aeronave de 50 a 100 lugares terá turbojatos propulsados a biocombustíveis à base de algas e de motores-fuselagem a combustível líquido (hidrogênio e oxigênio) para subir para a estratosfera. Uma nave espacial de ficção científica anunciada para 2050, caso venha a nascer.

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