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Escoteiro morto em ataque aéreo em Campinas é um dos 'Heróis de 32'

WACO do Museu Aeroespacial. Modelo utilizado na Revolução de 32
Aldo Chioratto, de 9 anos, foi atingido por 13 estilhaços de uma bomba.
Corpo do menino está entre generais e capitães da Revolução, diz PM.

"Inocência, coragem e civismo aqui repousam", diz a mensagem na urna do escoteiro Aldo Chioratto, de 9 anos, morto durante um ataque aéreo no dia 18 de setembro de 1932, em Campinas (SP). O menino é a única criança homenageada no Obelisco Mausoléu aos Heróis da Revolução Constitucionalista de 32, monumento localizado no Ibirapuera, em São Paulo, que abriga os restos mortais dos combatentes do levante paulista contra o governo provisório de Getúlio Vargas.

Segundo a Polícia Militar da capital, o "menino herói" está em lugar de destaque no monumento, junto com generais e capitães, por sua bravura. A criança foi enterrada em Campinas, mas na década de 60 teve seus restos mortais transferidos para o mausoléu. No obelisco estão também os estudantes Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo (M.M.D.C.), que deram nome ao movimento da resistência paulista contra a ditadura.


Entrega de correspondência

Aldo morreu após ser atingido por 13 estilhaços de uma bomba lançada por um avião da tropa federalista, após entregar uma correspondência para o comando revolucionário de Campinas na estação ferroviária, que fica no centro da cidade. Durante o levante, os escoteiros da região foram selecionados para fazer este tipo de serviço.

O menino fazia parte de uma família de classe média muito conhecida na cidade. Seu pai João era dono de uma tinturaria na região central e sua mãe se chamada Ada.

De acordo com o professor da PUC-Campinas Luiz Roberto Saviani Rey, autor de um livro sobre a história do menino, no dia do bombardeio, após a entrega da correspondência, ele iria passear na casa de um tio com a mãe, por isso, ela também estava na estação quando o "vermelhinho", como era chamado o avião federalista, disparou as bombas.

"Na hora que o vermelhinho baixou, todo mundo saiu para ver. O avião disparou três bombas. Uma delas caiu no teto da estação, uma caiu numa casa e a outra caiu na rua e matou o menino. Mais 20 pessoas ficaram gravemente feridas", explica.


Sem surpresa

No entanto, o professor destaca que o bombardeio não foi uma surpresa para os campineiros. Na mesma semana, aviões federais já haviam sobrevoado a cidade. Eles jogaram panfletos alertando a população e realizaram pequenos disparos, mas sem nenhuma vítima.

Os ataques aéreos tiraram a tranquilidade de uma cidade que até então não tinha envolvimento direto com o conflito, já que não possuía trincheiras. Tentando acalmar a população, o comando revolucionário da cidade também emitiu avisos aos moradores sobre como proceder em caso de bombardeio, um deles, inclusive, foi distribuído no dia da morte da criança.

"Os paulistas já tavam perdendo a batalha em Itapira. Os dois mil voluntários de Campinas já tinham sido derrotados. E decidiu-se bombardear a Estação da Paulista para evitar o envio de mais soldados e alimentos, porque aqui era um importante entroncamento ferroviário, tinha a Paulista e Mogiana", ressalta.
Na mesma tarde, inclusive, outros ataques ocorreram, segundo o professor. "Vieram mais dois vermelhinhos, mas não teve morte, só feridos", afirma. Foram duas semanas de bombardeios.

O professor conta ainda que a morte da criança, assim como o massacre de seus soldados, chocaram Campinas. Tanto que para lembrar seus "heróis", a cidade fez um monumento majestoso no Cemitério da Saudade. "Você percebe isso pelo mausoléu, que mostra o peso da cidade na revolução e como aquilo a impactou", explica.

O estado de São Paulo perdeu muitos combatentes nos campos de batalha e foi derrotado por Getúlio Vargas, no entanto, anos depois foi vitorioso, já que a nova constituição, a maior reivindicação paulista, foi promulgada em 1934.


Levante paulista

As razões que culminaram no levante começaram em 1930, quando o presidente Washington Luís foi deposto e o paulista Júlio Prestes foi impedido de tomar posse. A entrada de Vargas na presidência acabou com a "política do café com leite", o que irritou as elites paulistas. Ele dissolveu o congresso e os poderes estaduais.

Insatisfeitos, os paulistas começaram a fazer pressão. Eles exigiam uma nova Assembleia Constituinte, eleições e o fim do governo provisório. Para acalmar os ânimos, Vargas apresentou um novo código eleitoral e marcou eleições, além de nomear o paulista Pedro Toledo como interventor. Mas, no dia 23 de maio, um grupo de estudantes tentou invadir o Clube 3 de Outubro, sede do apoio à ditadura. Eles foram baleados e cinco jovens morreram.

O MMDC, movimento que leva o nome dos estudantes mortos, ganhou apoio do povo e dos partidos. Em 9 de julho, os paulistas iniciaram a marcha para o Rio de Janeiro, sede do governo. Eles acreditavam que outros estados ajudariam, o que não aconteceu, por isso, em pouco tempo eles foram massacrados pelas tropas federais.

Em 2 de outubro, na cidade de Cruzeiro, os paulistas se entregaram ao líder das tropas federais. Apesar da derrota no campo de batalha, o movimento atingiu seus objetivos, já houve em 1934 ocorreu a promulgação da nova constituição.


Em tempo: Abaixo uma tabela mostrando a participação do estado de São Paulo na composição do PIB brasileiro. 

Lista de unidades federativas do Brasil por participação no PIB

Origem: Wikipedia, a enciclopédia livre.
PosiçãoUnidade federativaPIB
em % de participação (2011)
PIB
em % de participação (2012)
1 São Paulo32,6%Baixa 32,1%
2 Rio de Janeiro11,2%Aumento 11,5%
3 Minas Gerais9,3%Baixa 9,2%
4 Rio Grande do Sul6,4%Baixa 6,3%
5 Paraná5,8%Estável 5,8%
6 Santa Catarina4,1%Baixa 4,0%
7 Distrito Federal4,0%Baixa 3,9%
8 Bahia3,9%Baixa 3,8%
9 Goiás2,7%Aumento 2,8%
10 Pernambuco2,5%Aumento 2,7%
11 Espírito Santo2,4%Estável 2,4%
12Pará Pará2,1%Estável 2,1%
13 Ceará2,1%Estável 2,1%
14 Mato Grosso1,7%Aumento 1,8%
15 Amazonas1,6%Baixa 1,5%
16 Maranhão1,3%Estável 1,3%
17 Mato Grosso do Sul1,2%Estável 1,2%
18 Rio Grande do Norte0,9%Estável 0,9%
19 Paraíba0,9%Estável 0,9%
20 Alagoas0,7%Estável 0,7%
21 Rondônia0,7%Estável 0,7%
22 Sergipe0,6%Estável 0,6%
23 Piauí0,6%Estável 0,6%
24 Tocantins0,4%Estável 0,4%
25 Amapá0,2%Estável 0,2%
26 Acre0,2%Estável 0,2%
27 Roraima0,2%Estável 0,2%

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