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10 de jun de 2015

Inpaer: Quero ser uma Embraer


A Inpaer se prepara para decolar no mercado de monomotores, dominado pelas americanas Cessna e Cirrus. A empresa quer crescer no espaço deixado pela maior fabricante brasileira de aviões

Numa área adjacente ao pequeno aeroporto da cidade de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, o empresário Milton Roberto Pereira está investindo em um sonho, que remete aos seus tempos de infância. É lá que está localizada a sede da Inpaer, tradicional fabricante de ultraleves e aviões experimentais, da qual Pereira é hoje o principal investidor. 

Ex-executivo do mercado financeiro e piloto nas horas vagas, ele quer transformar a pequena companhia, criada há 15 anos, em uma grande fabricante de aviões para uso comercial. Para isso, está preparando o lançamento da primeira aeronave certificada da Inpaer.

Até hoje, a empresa produzia apenas modelos classificados como ultraleves avançados. Trata-se de um avião normal, para até quatro pessoas, mas que não tem permissão para fazer voos comerciais, noturnos ou pousar em aeroportos movimentados, como os de Congonhas, em São Paulo, ou Santos Dumont, no Rio de Janeiro. 

A certificação significa que, a partir de 2016, a Inpaer vai passar a competir em um seleto mercado global, dominado por nomes como Cessna, Piper e Cirrus. “Estamos tomando todos os cuidados para desenvolver um produto extremamente competitivo”, afirma Pereira.

“Vamos incomodar.” A Inpaer recebeu um investimento de cerca de R$ 50 milhões para ampliação da sua fábrica, que passará a ter capacidade de produzir 30 aeronaves por mês. A mudança mais importante, no entanto, está no processo de produção. Anteriormente, os aviões eram fabricados quase que artesanalmente. 

Não havia um padrão de equipamentos e tudo era customizado, de acordo com o gosto e a condição financeira do cliente. Isso ocasionava atrasos na produção, já que tudo dependia da vontade do comprador, além de dificultar a liberação dos documentos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O modelo que será certificado, batizado de New Conquest, traz de série o que há de mais moderno em termos de radares, GPS e sensores – os chamados “aviônicos”. deverá custar por volta de R$ 300 mil. Outro modelo, em fase de desenvolvimento, batizado de EZY-300A, terá, ainda, controle por joystick, semelhante ao utilizado nos aviões da Airbus. 

“Será um avião luxuoso, com acabamento em couro e equipamentos de última geração”, afirma Pereira. O cliente continuará a ter a possibilidade de customizar o produto, mas posteriormente à entrega da aeronave.

O objetivo da Inpaer é atender, basicamente, dois públicos: os aficionados por aviação e os fazendeiros. O primeiro grupo busca um avião sofisticado, de asa baixa, capaz de alcançar altas velocidades, categoria na qual que se encaixa o EZY-300A. 

Nesse segmento, a empresa vai concorrer diretamente com a americana Cirrus, dona dos cultuados SR 20 e SR 22, considerados os aviões monomotores mais rápidos do mercado. O próprio Pereira, que se inclui nesse grupo de compradores, é proprietário de um modelo da marca, adquirido antes do investimento na Inpaer.

No caso dos fazendeiros, a demanda é por uma ferramenta de trabalho. O acesso terrestre a muitas fazendas, especialmente no Centro-Oeste, é difícil, quando não impossível. Esse mercado era atendido pela Embraer, que fabricava diversos modelos, como o Corisco e o Carioca, em parceria com a americana Piper. 

Quando o acordo foi encerrado, em 2000, o agronegócio passou a depender de aviões importados, em especial do Skyhawk, da Cessna. “Há um vácuo deixado pela saída da Embraer que queremos ocupar”, afirma Pereira. A Inpaer entrará no mercado em um momento de turbulência para os fabricantes de aeronaves leves.

No primeiro trimestre deste ano, as vendas de modelos movidos a pistão, como os da Inpaer, tiveram uma queda de quase 20%, no mundo, segundo a GAMA, associação americana que representa os fabricantes. 

“Os números mostram que estamos sofrendo com ventos contrários em algumas regiões do mundo, como na Ásia e na América Latina”, afirma Pete Bunce, presidente da GAMA. O ano passado, no entanto, foi positivo, com um crescimento de 9,6% no número de aeronaves entregues e um faturamento global de US$ 24,5 bilhões.

Apesar do vento contrário, Pereira confia na estratégia traçada e se prepara, inclusive, para exportar. Recentemente, ele levou a Inpaer a uma feira de aviação realizada na Flórida, nos Estados Unidos, e voltou animado. Sua grande inspiração é, obviamente, a Embraer. 

O sucesso da fabricante de jatos brasileira, inclusive, abre portas no exterior. “Hoje, e graças à Embraer, o profissional brasileiro é valorizado”, afirma Luciano Cruz, superintendente comercial da Inpaer. “O pessoal lá de fora sempre quer saber o que estamos fazendo.”

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