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A Dassault voa longe


Concorrente da Embraer, a fabricante francesa investe US$ 2 bilhões na produção dois novos jatos executivos, que podem voar sem escalas entre as principais cidades do mundo

Fabricante dos jatos executivos de longo alcance mais vendidos no País, a companhia francesa Dassault apresentou no início deste mês, em suas instalações em Bordeaux, na França, o Falcon 5X – aeronave com capacidade para transportar até 16 passageiros em viagens intercontinentais e autonomia de 9.630 km, o que lhe permite voar sem escalas entre as principais cidades do mundo. Ao exibir o seu mais novo jato, lançado em conjunto com outra grande aposta da empresa, o Falcon 8X, a Dassault investe US$ 2 bilhões para concorrer num mercado que projeta movimentar cerca de US$ 250 bilhões, nos próximos 10 anos.

“Com essas duas novas aeronaves, a Dassault será capaz de oferecer uma família de seis jatos projetados para atender uma maior gama de operadores no segmento superior do espectro de jatos executivos”, afirma Eric Trappier, presidente e CEO da Dassault Aviation. A expectativa no setor é de que pelo menos 10 mil aviões executivos sejam vendidos globalmente, na próxima década. No Brasil, os Dassault Falcons superam os concorrentes em vendas. De acordo a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), a empresa mantém em circulação no espaço aéreo nacional 52 jatos executivos – o equivalente a 70% do total.

No mercado internacional de aviação privada, sua participação empresa é de 40%. Estima-se que existam 2.380 jatos da Dassault em operação hoje no mundo. Só no ano passado, a companhia entregou 66 aeronaves, que representaram uma receita de aproximadamente US$ 2,7 bilhões. Segundo a Dassault, da década de 1980 para cá, houve uma grande mudança no perfil dos compradores, refletindo a transformação na economia mundial. Antes, os maiores compradores de jatinhos eram corporações. Seu lugar é ocupado atualmente por empreendedores, incluindo os de mercados como a China, onde as empresas estatais não costumam adquirir jatos.

O primeiro vôo do Falcon 5X está programado para outubro deste ano. O preço do jato está estimado em US$ 45 milhões – US$ 5 milhões mais barato do que o Global 5000, da canadense Bombardier, um de seus concorrentes. A aeronave ainda compete com os 600 e 650, da Embraer, e com o G450, da americana Gulfstream. “O 5X foi desenhado para suprir a demanda de operadores que desejavam uma aeronave de excelente alcance e que oferecesse mais espaço e conforto do que os modelos atualmente disponíveis nessa categoria”, disse Trappier.

A Dassault mantém relações comerciais com o Brasil há 45 anos, quando em maio de 1970 o Brasil encomendou à companhia francesa 17 caças, sendo 13 do modelo Mirage IIIEBR e 4 do modelo IIIDBR, que foram entregues à Força Aérea Brasileira (FAB), em outubro de 1972. Dez anos depois, o primeiro avião privado Falcon da Dassault começou a operar no País. No ano passado, depois de intensas negociações, que se arrastavam desde o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, por muito pouco o governo federal não adquiriu os caças Rafale, fabricado pela empresa francesa, para integrar a frota da FAB. Apostando no sucesso do negócio, a companhia chegou a firmar mais de 50 parcerias com universidades brasileiras para transferência de tecnologia.

Quando as tratativas pareciam estar próximas de um desfecho positivo, o governo preteriu o modelo francês ao fechar a compra de 36 caças Gripen NG, da sueca Saab. Até o final do ano, a Dassault planeja novos investimentos no País. O foco é no aumento da capacidade do centro de manutenção e atendimento ao cliente inaugurado, em 2009, em Sorocaba, no interior paulista. Em outubro de 2014, a empresa investiu US$ 10 milhões para conseguir atender seis aeronaves simultaneamente. Com o aumento da procura por serviços de manutenção da frota, a Dassault pretende ampliar o hangar, hoje com três mil metros quadrados de área. O centro de manutenção em Sorocaba foi o primeiro a ser construído fora dos EUA e da Europa.

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