Pista clandestina do Piaui ficava em Área de Assentamento do Incra


Área desmatada para construção de pista clandestina equivale a 10 campos de futebol

A pista clandestina onde um avião de pequeno porte caiu no interior do Piauí, no último dia (10), fica dentro de um assentamento do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A informação foi confirmada após visita ao local, na semana passada, por equipes das Polícias Civil, Federal e Incra.

Os dados coletados durante a viagem foram compilados em um relatório e encaminhados também ao Ministério Público, Ibama e Coordenação de Gerenciamento de Crise. Segundo a superintendente substituta do Incra-PI, Maria Teresa da Silva Sérvio, a ocupação irregular fica no assentamento Saco do Juazeiro, município de São Miguel do Tapuio, a 227 km de Teresina.

“Estamos aguardando o fim do inquérito policial para saber quais os procedimentos cabíveis que fica a cargo das policias. No local vivem 301 famílias e ainda será levantado o prejuízo causado de toda a área desmatada e por isso o Ibama também foi comunicado. Não podemos confirmar se a pista será explodida e aguardamos o fim do inquérito”, explica a superintendente substituta. 

Para a construção da pista- que tem 1,46 quilômetros e 10 metros de largura - foi desmatado uma área de 9, 59 hectares, o equivalente em média de 10 a 11 campos de futebol. 

“Um campo de futebol padrão tem em média 0,84 hectares e a área desmatada, comparativamente, fica em torno de 10 a 11 campos de futebol. Só a pista de pouso corresponde a área de dois campos”, explica o perito federal agrário do Incra-PI, Sérgio Viana, que foi ao local onde o avião caiu.

Investigação

A investigação sobre o esquema de tráfico de drogas corre em segredo de justiça. De acordo com o delegado Matheus Zanatta, o inquérito deve ser finalizado no dia 15 de maio. 

“Daqui a 20 dias devemos concluir o inquérito. Ainda faltam laudos dos entorpecentes, do local do crime, combustível e tudo isso demanda tempo. Também não podemos confirmar se haverá mais prisões, contudo as investigações continuam”, disse Zanatta. 

As investigações sobre as causas da queda do avião estão a cargo da Agência Nacional de Aviação Civil – Anac. Após a queda do voo, que resultou na morte do piloto, foram apreendidos cerca de 22 kg de cocaína e seis pessoas foram presas.