Índios protestam e apreendem aeronaves


Índios mantêm 20 servidores da Sesai reféns na Reserva Yanomami em RR

Piloto que deixou a área diz que índios pedem saída de gestora da Sesai.
Gestora do Dsei Yanomami diz ter informado a Polícia Federal sobre o caso.

Mais de 150 índios da etnia Yanomami mantêm cerca de 20 funcionários da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) reféns na região de Surucucus, Noroeste de Roraima, na Terra Indígena Yanomami (TIY), desde a manhã desta sexta-feira (1º). Conforme o piloto Liés Carvalho, que conseguiu deixar a região no início desta tarde, os indígenas cobram a exoneração da gestora do Distrito Especial de Saúde Indígena Yanomami (Dsei-Y) e de um outro servidor da Sesai.

Por telefone, a gestora Dsei-Y, Maria de Jesus, afirmou ter conhecimento da situação e disse já ter procurado a Polícia Federal para relatar o caso. Segundo ela, os servidores reféns não correm risco de vida.

O comandante Liés Carvalho disse que os indígenas que mantêm os servidores reféns estão armados com arcos, flechas, facões e estão pintados de preto. Conforme ele, os 20 agentes da Sesai são mantidos dentro do prédio da secretaria em Surucucus. Quatro aeronaves usadas pela Sesai também foram apreendidas pelos índios.

A reportagem do G1 tentou contato com o coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye'kuana (FPEYY), João Catalano, mas as ligações não foram atendidas.

"Os agentes foram levados ao prédio e os índios dizem que eles ficarão lá até que os servidores sejam exonerados. Eles [reféns] estão muito apreensivos, mas apesar de estarem armados, os índios estão calmos", descreveu.


Conforme o piloto, nesta sexta seria realizada a troca de agentes que atuam na região. Por isso, cinco aeronaves foram ao local para levar 20 funcionários Sesai e trazer para Boa Vista os agentes de saúde da secretaria que estavam na Reserva.

"Pousei o avião por volta das 10h para deixarmos agentes da Sesai e buscar os que estavam trabalhando lá. Desde esse momento, percebi que havia algo diferente, porque tinham muitos índios em volta da pista de pouso", contou.

Após estacionar a aeronave, o piloto contou que 'vários índios o fizeram descer e trancar o avião'. "Eles disseram que ninguém ia mais voar, porque eles estavam apreendendo tudo para 'ganhar força' e conseguir a exoneração dos servidores", disse.

Segundo ele, após descer da aeronave e conversar com os líderes indígenas, os pilotos que haviam levado os aviões à região foram 'liberados' para voltar a Boa Vista. Eles chegaram à capital por volta das 15h.

"Eles deixaram que só os pilotos voltassem, porque acreditaram que isso garantiria que nenhuma aeronave vai tentar decolar da região", disse, acrescentando que os pilotos foram orientados a retornar para a localidade dentro dos próximos dias levando comida e suprimentos.

O piloto relatou ainda que militares do 4º Pelotão Especial de Fronteira estão na região de Surucucus e acompanham o caso.

A reportagem entrou em contato com um cabo do exército que atua na localidade e ele confirmou o número de índios que participam do protesto. Conforme ele, os servidores só serão libertados quando os servidores da Sesai forem exonerados.

O G1 tentou contato por email e telefone com o Minstério da Saúde, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.


Exército

Por telefone, a assessoria de comunicação do Exército Brasileiro em Roraima, contradisse o número de índios presentes na manifestação. Segundo a instituição, são cerca de 30 Yanomami que mantêm os servidores 'apenas impedidos de deixar a região porque não há pilotos para guiarem as aeronaves'.
"Além disso, os militares que atuam no Pelotão de Fronteira estão dando total assistência aos servidores que estão no local", comunicou.

Entenda o caso

Em 2013, índios Yanomami invadiram o prédio da Sesai em Boa Vista para exigir a saída da também coordenadora do Dsey-Y, Claudete Schuertz. Após cinco dias de ocupação, ela foi exonerada e a atual gestora da pasta, Maria de Jesus do Nascimento, foi empossada no cargo.

Em janeiro deste ano, cerca de 50 indígenas da etnia Yanomami voltaram a ocupar a Sesai e pediram a exoneração de Maria de Jesus. Alguns dias depois, eles deixaram o prédio e a coordenadora permaneceu no cargo.


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