Ministro Wagner critica imprensa no caso Gripen


A instauração de inquérito, por parte do Ministério Público Federal, para investigar se houve superfaturamento no contrato de compra de 36 caças Gripen NG, que serão produzidos no Brasil pela companhia sueca Saab, recebeu críticas do ministro da Defesa, Jacques Wagner, que questionou também o papel da imprensa na denúncia.

Ao ser questionado sobre o tema da suposta irregularidade na aquisição dos caças, que foi inicialmente veiculado na revista Veja, no fim de semana, Wagner disse que qualquer suspeita que se levanta será apurada, mas que 80% do material divulgado repete conteúdo publicado em 2012 e 2013, sobre o contrato, fechado em US$ 5,4 bilhões, US$ 900 milhões mais que a proposta inicial da Saab.

“Provavelmente por estarmos ultimando a compra. Não nos cabe a ingenuidade, existem interesses estratégicos. Um contrato como esse é desenvolvido ao longo de cinco, seis, oito anos, não teríamos nenhum problema em responder. Estou seguro que não houve irregularidade”, afirmou ontem o ministro, durante a abertura de feira do setor de defesa e Segurança, a Laad, no Rio de Janeiro.


“Está previsto no próprio contrato uma renegociação, que pode ser prejudicial para o País”, acrescentou. Ele assinalou ainda que o contrato de financiamento (que prevê oito anos de carência e depois 11 anos para pagar), como foi assinado em coroa sueca, gerou ganho de US$ 500 milhões e não perdas à FAB (Força Aérea Brasileira).

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), principal articulador para a vitória do Gripen NG (que venceu a licitação em que disputaram também a francesa Dassault e a norte-americana Boeing) e que chegou inclusive a testar o caça na Suécia, também reclamou da abertura do inquérito.

Ele disse que isso pode atrasar o processo que poderia gerar empregos para o País, inclusive em São Bernardo, onde são esperados 1.000 com a inauguração da SBTA (São Bernardo Tecnologias Aeronáuticas), parceria da Saab e da mauaense Inbra, para fabricar partes do caça a partir de 2019. “É uma coisa ridícula, um jornalista faz uma matéria, fazendo ilações, e um promotor resolve abrir investigação. É uma irresponsabilidade por parte da grande imprensa. Temos que aprovar no Congresso. E agora, como o Parlamento aprova com investigação aberta? Eu chego a achar que isso responde a interesses internacionais.”


Por sua vez, o diretor da Saab Brasil, Bengt Janér, reforçou que o processo foi transparente e que a empresa está à disposição para qualquer questionamento. Ele também citou que, na tomada de preços, estava cotado em 39 bilhões de SEKs (moeda sueca), quando foi assinado em outubro, cada dólar estava cotado em 7 SEKs e, agora, está um para 8,5 SEKs, o que dá US$ 5,4 bilhões e justificaria a diferença para mais.

Ele assinalou ainda que aguarda a ‘eficácia’ do contrato, o que significa as condições para que entre em vigor, como a autorização pelo Congresso e o aval da Ministério da Fazenda atestando que existe orçamento para isso, destinado a esse projeto, que prevê a construção da SBTA. Só depois disso, o que deve ocorrer até julho, é que começará a sair do papel.

Entidades estimulam cadeia da defesa

Ontem foi assinado memorando de entendimento entre a Soff (sigla em inglês para Associação da Indústria Sueca de Segurança e Defesa), a Abimde (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Defesa) e programas de APL (Arranjo Produtivo Local), que aglutinam pequenas empresas dessa cadeia produtiva do Grande ABC e de São José dos Campos (Interior).


Carlos Frederico Aguiar, vice-presidente da Abimde, destacou que esse convênio teve como pontapé inicial a compra do Gripen NG, que deve envolver mais de 30 empresas brasileiras. Ele acrescentou que o memorando não se limita ao projeto do caça, mas deve estimular o intercâmbio de negócios entre companhias do Brasil e suecas e incentivar que mais pequenas empresas se unam aos APLs.

O secretário-geral da Soff, Robert Limmergard, assinalou que a aproximação permitirá benefícios tanto para as indústrias daqui quanto às de seu país, com a troca de experiências. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo, Jefferson da Conceição, que coordena o programa APL da defesa do Grande ABC, estão previstas nesta semana rodadas de negócios – em que se inscreveram cerca de 30 indústrias da região –, com oportunidades de joint-ventures, parcerias e transferência de tecnologia.

Fotos extraídas do site Olavo de Carvalho do artigo "Brasil macunaímico" de Março de 2007

Nota do Editor: Realmente é tudo culpa da imprensa...