Famílias de 3 PMs mortos em queda de helicóptero cobram indenização


Acidente ocorrido em 2005, na Serra de São Vicente, matou três policiais.
Eles iriam resgatar vítimas de acidente na BR-364 quando helicóptero caiu.

Famílias de três policiais militares que morreram há 10 anos após a queda de um helicóptero buscam na Justiça o direito de receber indenização do estado pelas perdas. De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o cansaço pode ter contribuído para o acidente. Tinha 11 horas que os policiais estavam trabalhando quando foram acionados. Eles saíram para fazer o resgate de vítimas de um acidente na Serra de São Vicente, na BR-364, entre Cuiabá e Rondonópolis, a 218 km da capital, no período noturno.

A Procuradoria Geral de Mato Grosso disse que o estado foi condenado a pagar R$ 136 mil à família do sargento Joel Pereira Machado, mas o valor ainda não foi pago. Em 2009, a Justiça determinou o pagamento R$ 200 mil à família do tenente Rodrigo Ribeiro, mas o estado recorreu várias vezes. No mês passado entrou com um recurso de apelação e o processo agora deve ser julgado em segunda instância, pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Luciana Garcia, mãe de Rodrigo, copiloto do helicóptero da Polícia Militar, disse que tem sido difícil suportar a dor do filho, mesmo com o passar do tempo. “Não perdi só um filho. Perdi minha âncora de vida, porque ele era o meu braço, meu pensamento, a minha alma e meu espírito", contou.

O sargento Joel Pereira e o cabo Júlio Márcio de Jesus, que também estavam no helicóptero,  morreram na hora. Os três policiais foram tratados como heróis depois da tragédia, mas os familiares se sentem injustiçados até hoje.

Há 10 anos, as famílias pedem indenização ao estado com base em um relatório do Cenipa, que apontou várias falhas que podem ter causado o acidente. “Entregamos nossos filhos saudáveis e felizes para o estado e recebemos eles dentro do caixão”, disse Luciana.

A viúva Neiva das Neves, estava grávida do terceiro filho quando o marido, o cabo Julio Marcio, de 27 anos, morreu no acidente. “É muito difícil criar três filhos sozinha e ficar pensando no que poderemos fazer para educá-los para que eles cresçam homens e mulheres descentes”, afirmou.

Odílio Machado, pai do sargento Machado, relatou que teve de criar o neto com muitas dificuldades, pois a pensão que o rapaz recebia foi cortada, de acordo com o o aposentado. Segundo o relatório do Cenipa, o piloto também teria errado, pois voava abaixo da altitude mínima de segurança recomendada. Para as famílias, a responsabilidade deve ser assumida.

O único sobrevivente, o piloto do helicóptero, agora é comandante do Centro Integrado de Operações Aérea (Cioper). Ele disse que foi considerado inocente no procedimento investigativo da Polícia Militar e não se lembra de como foi o acidente. "O relatório da Cenipa não é investigativo no sentido de veracidade. É um relatório que faz suposições, mostra a linha de ações, coisas que podem ter acontecido”, afirma o comandante Henrique Santos.

O  Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo faz parte do Ciopaer. Na sede da instituição, o nome dos policiais mortos são lembrados em uma placa no local e, segundo o comandante, a conduta de trabalho é diferente e mostra a importante da segurança na atividade para que não aconteça um episódio como esse. "Os nossos procedimentos continuam similares com o da época do acidente. O que mudou foi a cultura de segurança de voo, nossos treinamentos”, explicou.