EUA: general afastado depois de ameaçar defensores de aeronave.


General da Força Aérea dos EUA foi repreendido devido a ameaças relacionadas com a defesa do avião de ataque A-10.

Cortes orçamentais e mudanças no paradigma da guerra, assim como casos de pura e simples corrupção, estão a levar a uma onda de graves polémicas dentro das forças armadas dos Estados Unidos da América. A questão da Força Aérea tem sido extremamente premente, devido ao modo como se tem investido em redor de um único sistema de armamento: o caça furtivo F-35 Lightning II.

A mais recente polêmica neste campo envolveu o Major-General James Post III, que foi repreendido e afastado do seu posto depois de supostamente ter decretado a um conjunto de oficiais que prestar declarações acerca deste assunto ao Congresso do seu país poderia ser visto como traição.

O caso incluiu-se na campanha em curso para desativar o vetusto avião de ataque ao solo A-10 Thunderbolt II, que é adorado pelas tripulações e pelas tropas no solo, e as autoridades da Força Aérea concluíram que as ameaças feitas poderiam levar os homens envolvidos a coibir-se de prestar declarações. 

Porta-vozes do Congresso aplaudiram a atitude da Força Aérea, afirmando que precisavam de obter declarações imparciais para tomar as suas decisões. Por seu lado, Post defendeu-se declarando que apesar de, realmente, ter utilizado a palavra "traição", o seu objetivo teria sido o de deixar bem presente o facto de que existe a necessidade de cortar custos dentro da Força Aérea.

A questão da desativação do A-10 é já longa. Desenhado no auge da Guerra Fria para destruir carros de combate soviéticos, o avião tem características usualmente descritas como anacrônicas no campo de batalha moderno. É lento, feio, e a arma principal é um potente canhão de 30 mm que ocupa quase toda a parte frontal. É também ágil, extremamente bem armado, e pesadamente blindado, sendo um exemplo extraordinário daquilo que se chama de "aeronave de apoio próximo". 

Desde a Guerra do Golfo, em 1991, e em quase todos os conflitos em que os EUA participaram desde então, o A-10 tem sido uma das principais armas para apoiar as tropas que combatem no solo, e provou vezes sem conta uma quase lendária capacidade de suportar danos que facilmente derrubariam outras aeronaves, e mesmo assim regressar à base.

Esta realidade também granjeou um certo carinho junto das autoridades políticas, que nos últimos 30 anos cancelaram todas as tentativas de desativar a frota de A-10. No entanto os tempos estão a mudar. O avião é descrito como estando desatualizado para o campo de batalha moderno, e que afastá-lo serviria tanto para poupar custos como para abrir caminho para novos sistemas de armamento. 

E é aqui que entra o F-35, descrito pelo fabricante, a Lockheed-Martin, como capaz de substituir todas as outras aeronaves de combate americanas, declaração que causou ceticismo em diversos setores.

O lobby do F-35 também faz recordar erros do passado, em que a suposição de que os caças já não precisariam de canhões e o design defeituoso dos mísseis Falcon levaram a situações trágicas nos céus do Vietname. 

Entretanto, o F-35 foi descrito como sendo demasiado lento e frágil para as funções que se propõe a ocupar, e demasiado dependente dos seus sistemas eletrônicos, teoricamente excecionais. Pior ainda, o programa desta aeronave descontrolou-se totalmente em relação ao tempo de desenvolvimento e aos dos custos, que se aproximam dos 400 mil milhões de euros. 

Por ser algo provado e em que confiam, as tripulações preferem o A-10, enquanto todo o espetáculo e custo do F-35 deram azo a uma certa desconfiança em relação ao mesmo.