Dez anos depois, demanda por superjumbo A380 continua baixa


A Airbus Group celebra, hoje, o décimo aniversário do primeiro voo do superjumbo A380. A fabricante europeia de aviões tem pouco a comemorar até o momento, já que ainda não conquistou muitas encomendas para seu principal produto.

Atrasos no desenvolvimento e produção, a crise financeira e mudanças nas preferências das companhias aéreas prejudicaram os esforços da Airbus para vender o maior avião do mundo.

O número de compradores que cancelaram parte ou todos os pedidos do A380 quase se iguala ao dos que mantiveram as compras. Cerca de uma dezena de empresas aéreas desistiram ou atrasaram a entrega dos aviões A380. Ainda assim, outras, como a Emirates Airline e a Singapore Airlines  se tornaram grandes clientes.

Quando começou a desenvolver o avião, em 2000, a Airbus apostou que em 20 anos ele conquistaria metade do mercado para aviões de grande porte, estimado pela empresa em cerca de 1.550 aviões. Até o momento, a Airbus recebeu 317 pedidos para o A380, dos quais 158 já foram entregues.

“O mercado para o A380 sempre foi pequeno, mas é um mercado crescente”, disse John Leahy, diretor operacional para clientes da Airbus, em uma entrevista ao The Wall Street Journal.

As encomendas existentes estão praticamente em linha com a expectativa da Airbus, levando-se em conta que a planejada versão ampliada do A380 e de um modelo para cargas nunca foram construídos, disse Leahy. A Airbus cancelou essas versões derivadas quando o programa acumulou anos de atraso e estourou o orçamento.

A rival Boeing também está com dificuldades para vender seu 747-8, o concorrente direto do A380. Ela teve que reduzir a produção, embora a fabricante americana tivesse ambições menores que a Airbus.

Entre os compradores do A380 que desistiram do avião estão a Virgin Atlantic Airways, companhia aérea fundada pelo empresário Richard Branson; a International Lease Finance Corp., uma das maiores empresas de leasing do mundo, que pertence agora à AerCap Holdings; e a indiana Kingfisher Airlines. Um acordo com a japonesa Skymark Airlines foi cancelado no ano passado por questões de pagamento.

A Deutsche Lufthansa e a Air France-KLM informaram que não vão comprar o número de aeronaves inicialmente planejado. Pedidos da FedEx a maior empresa aérea de cargas do mundo, e da United Parcel Service deixaram de existir com o cancelamento da versão cargueiro.

O A380 “do início não era supereficiente”, diz Adam Pilarski, vice-presidente sênior da consultoria de aviação Avitas.

A Airbus já deu grandes descontos para os primeiros compradores e aqueles que adquiriram um grande número de aviões, o que é normal no setor de aviação. Agora, a empresa tem que tentar vender os A380 a preços mais altos, diz Pilarski, o que dificulta fechar novos negócios. O A380 tem um preço de tabela de US$ 428 milhões, embora os clientes geralmente paguem menos.

Harald Wilhelm, diretor financeiro da Airbus, sinalizou em dezembro que o A380 poderá sair de linha no fim desta década a menos que os pedidos aumentem. Desde então, contudo, executivos do Airbus vêm enfatizando que o projeto não será abandonado.

A Airbus investiu US$ 15 bilhões para desenvolver o avião e, antes do aumento de custos, esperava reaver o dinheiro depois de 250 entregas. Ela agora prometeu aos investidores que as entregas feitas a partir deste ano já não estarão no vermelho, embora os executivos não falem mais em obter lucro com o projeto.

Leahy disse que o A380 registrará “um crescimento bom e sólido no futuro”. A Airbus deve ser capaz de vender tantos A380 como os cerca de 30 que planeja entregar este ano, disse ele.

Já se passaram três anos desde que a Airbus conquistou um novo cliente para o A380, a Emirates Airline, que virou o principal comprador do modelo, com 50 pedidos realizados em 2013. A Amedeo, empresa de aluguel de aviões, encomendou 20 unidades no ano passado, mas ainda não anunciou nenhuma companhia aérea que ficará com o avião e adiou a primeira entrega.

Leahy disse que “o mercado permanecerá um pouco fraco nos próximos anos”, mas está otimista que a demanda pelo A380 terá um “crescimento muito forte” a partir de 2020 à medida que o tráfego asiático aumentar e os aeroportos atingirem seu limite de capacidade, o que obrigará as empresas aéreas a usar aviões maiores.

O A380 já se tornou popular entre os passageiros, ainda que as companhias aéreas se preocupem com a lucratividade do modelo. Para dar mais apelo econômico ao A380, a Airbus aumentou o número de assentos médios do avião de 525 para 544. Mais assentos significam menor custo unitário, um parâmetro monitorado de perto pelas empresas aéreas ao decidir que modelo comprar.

Leahy disse que algumas empresas estão mostrando interesse em uma versão maior que poderia acomodar muito mais passageiros.