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Um ano após queda de avião no PA, famílias de vítimas esperam respostas


FAB informou que investigação ainda não foi concluída.
Acidente matou 5 pessoas em Jacareacanga, em 18 de março de 2014.

Em Santarém, oeste do Pará, familiares das técnicas de enfermagem, vítimas do acidente que aconteceu há um ano com um bimotor no município de Jacareacanga, sudoeste do estado, ainda aguardam o resultado das investigações feitas pelo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa).

O acidente aconteceu no dia 18 de março de 2014. Cinco pessoas estavam a bordo da aeronave: o piloto Luiz Feltrin; as técnicas de enfermagem Rayline Sabrina Brito Campos, Luciney Aguiar de Sousa e Raimunda Lúcia da Silva Costa; e o motorista Ari Lima. A equipe de saúde seguia para atendimento a uma comunidade indígena de Jacareacanga.

As famílias contam que ainda desconhecem as causas do acidente. "Iam investigar sobre o avião, por que aconteceu tudo. Mas até hoje nada saiu, ninguém sabe nada. Eles deviam dar um posicionamento, o porquê desse avião ter caído se era uma avião seminovo e com reparo feito há pouco tempo", cobra o pai de Luciney, Ramiro Aguiar.

Para Ramiro, o tempo passou, mas a tristeza e a dor no coração ainda persistem. "O que a gente quer agora é se confortar, é aceitar o que aconteceu, porque a gente não quer aceitar, mas o que tinha que acontecer aconteceu", diz emocionado.


No dia do acidente, minutos antes do avião desaparecer, a técnica de enfermagem Rayline Campos mandou uma mensagem via celular para o tio que mora em Santarém, Rubélio Santos. Ela pedia socorro, informando que um dos motores do avião tinha falhado. As lembranças desse dia, das noites de oração e da esperança de encontrar a sobrinha viva ainda estão na memória de Rubélio. 

"Foi muito difícil, muita aflição, muita expectativa de encontrar elas vivas. Todo mundo esperava que fossemos conseguir encontrá-las com vida, mas infelizmente chegou aquele momento em que elas tinham que seguir, que a missão delas tinha terminado na Terra", lamenta.

As mensagens enviadas por Rayline ainda são guardadas pelo tio. "Eu guardo no meu celuar e vou guardar até quando eu puder. É uma forma de eu matar a saudade e relembrar todo tempo dela", revela Rubélio.

FAB

Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que a investigação do acidente está em andamento. Quando concluída, terá o relatório final publicado no site do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), com os fatores que contribuíram para o acidente e as recomendações de segurança.

A FAB informou ainda que não é possível prever um prazo para o término das investigações, o que varia de acordo com a complexidade do acidente.

O órgão ainda esclareceu que a investigação realizada pelo Cenipa tem o objetivo de prevenir acidentes. Em paralelo, ocorre a investigação policial que tem o objetivo de apurar culpa ou responsabilidade.

O delegado de Polícia Civil Lucivelton Santos, que estava à frente das investigações na época do acidente, informou ao G1 que foi solicitada perícia, o inquérito foi encaminhado ao Fórum de Justiça, mas ainda não houve retorno. O G1 não conseguiu contato com o delegado de Jacareacanga, que atualmente está à frente da investigação.

Pelo lado da empresa Jotan Taxi Aéreo, a filha do piloto que era o proprietário do avião, Jéssica Feltrin, informou à produção de jornalismo da TV Tapajós, por telefone, que foi dado todo suporte necessário às famílias das vítimas. Os seguros de vida, de direito de cada um dos passageiros, já foram pagos.

Em memória às vítimas, uma missa será realizada na Igreja Matriz, em Itaituba. Em Santarém, a missa será na Igreja Nossa Senhora de Fátima, às 19 horas.


Entenda o caso

No dia 18 de março de 2014, o bimotor decolou do aeroporto de Itaituba às 11h40, com destino a uma aldeia indígena no município de Jacareacanga. Na aeronave estava o piloto Luiz Feltrin, as técnicas de enfermagem Rayline Sabrina Brito Campos, Luciney Aguiar de Sousa e Raimunda Lúcia da Silva Costa, e o motorista Ari Lima.

Por volta de 12h40 daquele dia, o piloto do avião entrou em contato com um colega e informou que havia uma pane em um dos motores da aeronave, e que tentava encontrar uma área para fazer um pouso forçado. Nesse momento, a passageira Rayline enviou uma mensagem para o celular do tio, avisando que estava em perigo.

O local onde a aeronave sumiu era de floresta densa, entre Itaituba e Jacareacanga, o que tornou as buscas um desafio e envolveu equipes do Exército, voluntários, familiares e colegas de trabalho, sob a coordenação da FAB.

Além da área de mata fechada, o mal tempo também dificultava o trabalho. Dezesseis dias depois do sumiço do bimotor, a FAB decidiu interromper as buscas. Os familiares da vítimas chegaram a arrecadar R$ 19 mil para recompensar quem encontrasse o bimotor e foram a Brasília para pedir que não desistissem de encontrar os destroços do avião.

No dia 22 de abril de 2014, após 35 dias do acidente, um garimpeiro encontrou o avião, sem sobreviventes, a 20 km de Itaituba.

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