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De carona com os russos


O estudante de engenharia elétrica da UNB – Universidade de Brasília, Pedro Nehme, de 23 anos, vai ser o segundo brasileiro – o primeiro civil – a ir ao espaço. Antes dele, Marcos Pontes, militar da FAB – Força Aérea Brasileira, fez parte, em 2006, de uma missão na Estação Espacial Internacional.

Ex-bolsista do programa Ciência Sem Fronteiras e ex-estagiário da NASA, Pedro Nehme venceu quase 130 mil participantes de um concurso promovido em 2013 pela companhia aérea KLM, da Holanda, e cujo prêmio é um voo suborbital, por uma hora, na espaçonave Lynx Mark II, da empresa XCOR Space Expeditions.

A participação no concurso aconteceu durante o estágio de 9 meses na divisão de astrofísica da NASA, com balões de grande altitude, capazes de levar instrumentos de pesquisa à estratosfera.

Segundo Pedro Nehme, foi justamente o trabalho que realizava o motivo que o ajudou a ganhar o desafio da tarefa, que consistia em acertar o local onde cairia um balão lançado do deserto americano de Nevada. 

Os participantes tinham que marcar a altitude onde o balão estouraria, além da latitude e da longitude. Pedro explica que acertou a altitude exata, e seu cálculo foi o que mais se aproximou do local certo no mapa. “Eu consegui ter um palpite interessante, mas realmente não esperava vencer, diante de 130 mil pessoas.”

O estudante conta ainda que sempre sonhou ir ao espaço, mas explica que sempre teve os pés no chão sobre se conseguiria um dia realizar seu sonho, já que o Brasil não tem um programa para astronautas. 

“Toda criança, todo jovem já sonhou ir para o espaço, mas eu sabia que isso talvez não fosse algo realizável, pelo fato de o Brasil não ter efetivamente um programa em desenvolvimento para a formação de astronautas e não ter nenhuma associação com a Estação Espacial Internacional. Nessa área, a nacionalidade interfere muito, é preciso ser americano ou europeu ou, pelo menos, naturalizado para poder ser um astronauta.”

A viagem para o espaço está prevista para acontecer no final de 2015, mas o jovem já passa por uma série de treinamentos. A capacitação é financiada pelo Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira, unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e onde Pedro atualmente é estagiário.

O estudante acaba de voltar ao Brasil, vindo da Filadélfia, nos Estados Unidos, onde realizou treinos na centrífuga Phoenix do Nastar Center. Pedro Nehme diz que a preparação inclui uma rotina dedicada de exercícios físicos e uma dieta restrita. “Envolve todo o treinamento físico de construir massa muscular e tem uma dieta controlada, evitando alimentos que provoquem tontura, como frutas cítricas, chocolate e café.”

Neste mês de abril, Pedro se prepara para ir à Rússia, fazer testes de gravidade zero. “Eu vou para a Rússia para fazer uma viagem num avião cargueiro construído na década de 1960, que foi adaptado para fazer voos parabólicos de gravidade zero.”

Até a viagem, Pedro vai ser acompanhado pela Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial da FAB, que está estudando todo o comportamento do jovem durante o processo de simulações de falta de oxigênio, ejeção e desorientação espacial. 

“Para eles também é bastante interessante estudar o meu comportamento dentro dessa situação. Essa nova indústria que está surgindo de voos suborbitais não tem um protocolo médico definido, e eles querem definir um novo protocolo, e a minha experiência vai contribuir muito para isso.”

Durante o voo suborbital, Pedro Nehme vai conduzir uma experiência criada por estudantes de escolas públicas brasileiras e selecionada pela Agência Espacial Brasileira. Os estudantes vão desenvolver um dispositivo eletrônico compacto que vai ter como função avaliar os aspectos fisiológicos relacionados à exposição do corpo humano ao ambiente de microgravidade e hipergravidade.

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