Poderia um capricho diplomático atrapalhar o Super Tucano?


Para parlamentar indonésio, Brasil faz assédio diplomático com Jacarta


Tantowi Yahya apontou que Brasil tem negócios com a Indonésia. Dilma adiou recebimento de credencial de embaixador do país asiático.

Tantowi Yahya, vice-presidente de uma comissão que acompanha relações internacionais no Parlamento da Indonésia condenou em entrevistas à imprensa local a atitude do governo brasileiro de adiar o recebimento das credenciais embaixador indonésio no Brasil Toto Riyanto. Falando ao diário "Jakarta Post", ele acusou a presidente Dilma Rouseff de "assediar diplomaticamente" a Indonésia.

"Não há nenhum país no mundo que possa ditar a outro país o seu sistema legal. Sendo uma nação soberana, o Brasil deveria entender isso", disse Yahya. Ele acrescentou que a atitude da presidente brasileira poderia gerar perdas ao Brasil na relação entre os países. "

A Indonésia comprou aviões Super Tucano e encomendou um sistema de lançamento múltiplo de foguetes do Brasil. A Casa vai discutir esse assunto com o Ministério da Defesa para avaliar a cooperação", disse o parlamentar. Segundo o "Jakarta Post", a Indonésia assinou um contrato de US$ 284 milhões para comprar um esquadrão de Super Tucano da Embraer.

Rusga diplomática

O Ministério das Relações Exteriores da Indonésia chamou de volta ao país nesta sexta-feira (20) o embaixador no Brasil, Toto Riyanto, após a presidente Dilma Rousseff decidir adiar o recebimento das credenciais do diplomata. Em nota, o órgão informou ainda ter convocado para uma reunião o embaixador brasileiro em Jacarta, Paulo Soares.

Em janeiro, a execução do brasileiro Marco Archer por tráfico de drogas pelo governo indonésio gerou um mal-estar diplomático entre Brasília e Jacarta. O governo brasileiro chegou a pedir clemência para Archer, mas não foi atendido. Outro brasileiro, Rodrigo Gularte, também foi condenado e deve ser fuzilado.

“O governo da Indonésia chamou de volta para casa, em Jakarta, o embaixador da Indonésia designado para o Brasil até o tempo determinado pelo governo do Brasil para a apresentação de suas credenciais.”, informou.

O G1 procurou o Itamaraty, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. 

O recebimento das credenciais dos embaixadores pelo presidente da República é uma formalidade que marca oficialmente o começo das atividades dos diplomatas. Na prática, com o ato, o presidente passa a reconhecer que o embaixador representa o Estado no Brasil.

Segundo a presidente Dilma, o governo brasileiro decidiu “atrasar” o recebimento da documentação do embaixador. Ela destacou que, antes de autorizar a atuação do diplomata, quer ter clareza sobre a situação das relações diplomáticas entre as duas nações.

“Achamos importante que haja uma evolução na situação para que a gente tenha clareza em que condições estão as relações da Indonésia com o Brasil. Na verdade, o que fizemos foi atrasar um pouco o recebimento de credenciais, nada mais que isso”, disse a presidente.

Segundo o G1 apurou, o diplomata indonésio chegou a ir na manhã da sexta-feira ao Palácio do Planalto para participar da cerimônia. Porém, antes do início evento, ele foi chamado para uma conversa reservada e avisado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, da decisão da presidente Dilma de adiar o recebimento das credenciais.

Na avaliação do Ministério das Relações Exteriores da Indonésia, o ato do governo brasileiro foi “hostil” e "abrupto". Em nota, o órgão informou ter apresentado ao embaixador Paulo Soares “nota formal de protesto”. O ministério também informou considerar "inaceitável" a forma como o governo brasileiro adiou a apresentação das credenciais do embaixador indonésio.


Em tempo: As relações comercias entre os dois países já não são lá essas coisas. Em final de Abril de 2014 um jornal local comentava que a entrega dos Super Tucanos estaria atrasada. Veja mais detalhes aqui