Drone feito com Lego


É possível reunir em um só projeto três das palavras mais bombadas da internet? Aparentemente sim. A equipe Things Hacker Team, que se reúne em São Paulo para hackear e repensar tecnologias, quer construir até o meio do ano um drone feito com peças de Lego e controlado por um aplicativo Android. A ideia quase tomou forma na Campus Party 2015, onde o grupo palestrou, mas um imprevisto impediu o voo.

Formada por professores universitários, programadores e outros profissionais de tecnologia, a Things Hacker Team descobriu uma forma de enviar comandos por Android para o controlador dos modelos Lego Mindstorm, linha de robôs da empresa. Com isso, passou a montar vários robôs com a tecnologia, de carros a até um elefante.

"Nossa primeira função era mostrar que é possível hackear algo que é fechado. E mostrar que não está limitado à programação que vem nele. E queríamos mais: unir Lego e Android", disse Fernando Veiga, professor de robótica e membro da Things Hacker Team. "Com essa ponte entre Android e Lego, a gente pode unir várias outras coisas".

Veiga trabalha com o ensino de tecnologia para crianças e foi o responsável por trazer a ideia de robôs de Lego para seus colegas. Ele diz que além de ser mais divertido e ter apelo, as peças de plástico barateiam e facilitam a montagem de máquinas do tipo.

A ideia do grupo era trazer um drone de Lego e Android para a Campus Party 2015, mas um imprevisto atrapalhou esse objetivo. "Nós queríamos montar do zero. Compramos os motores, as placas. Mas a entrega atrasou, e por isso fizemos uma montagem de Lego usando partes de um drone pronto", diz Veiga.

Por conta da mudança de última hora, o drone demonstrado usava comandos por infravermelho, como em um controle convencional, e não tinha muita estabilidade. "O compartimento da bateria da aeronave acabou atrapalhando o equilíbrio", diz Matheus Marabesi, pós-graduando em engenharia de software e outro membro da Things Hacker Team.

Mas o time não está desanimado e destaca a importância da internet das coisas e do espírito hacker. "Até 2020, teremos 50 bilhões de coisas em rede. E isso toma outro nível quando a gente hackeia uma pessoa", diz Ricardo Ogliari. "A gente pode usar tudo isso para criar muito mais. Falta um pouco de cultura hacker para as pessoas. Tentar fazer, tentar ver como funciona", comenta Marabesi.