Eu não sou Charlie. Eu sou Charles.


O presidente da França, François Hollande, anunciou nesta quarta-feira (14) que o porta-aviões Charles de Gaulle está disponível para ser utilizado em operações contra o grupo Estado Islâmico no Iraque. A declaração foi dada em um discurso a militares dentro do navio, segundo a Reuters.

“Graças ao Charles de Gaulle nós teremos preciosas informações de inteligência. Nós também poderemos conduzir operações no Iraque”, afirmou Hollande no discurso, dado a bordo do porta-aviões na costa sul da França. “O porta-aviões vai trabalhar em cooperação próxima com as forças de coalizão”, completou.

A França está enviando o Charles de Gaulle, principal navio de sua frota naval, para o Oceano Índico, onde realizará exercícios navais.

A declaração ocorre dias após atentados terroristas terem matado 17 pessoas na França. Doze delas morreram em um massacre no jornal "Charlie Hebdo", atribuído aos irmãos Chérif e Said Kouachi. 

Outras quatro pessoas morreram após serem sequestradas em um mercado de comida judaica em Paris por Amedy Coulibaly, que declarou fazer parte do Estado Islâmico. Os três homens apontados como responsáveis pelos ataques foram mortos. Nesta quarta, a Al-Qaeda no Iêmen assumiu a responsabilidade pelos atentados.

Síria

O presidente francês também afirmou que a comunidade internacional “não atuou a tempo” na Síria para evitar que o extremismo islâmico seguisse ganhando terreno.

“Continuo lamentando que a comunidade internacional não tenha atuado a tempo para acabar com as matanças na Síria e impedir que os extremistas sigam ganhando terreno”, disse Hollande.

Segundo Hollande, a França estava disposta a intervir há mais de dois anos na Síria, mas não o fez por falta de apoio de outros países.