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Primeiríssima classe


Há uma batalha sendo travada no ar com mordomos, cozinheiros, talheres folheados a ouro, produtos de toalete da Chanel e até camas para casais.

No próximo sábado, a companhia aérea Etihad Airways vai lançar um apartamento de 11,6 metros quadrados situado no nariz dos seus jatos superjumbo Airbus A380. O apartamento vai se chamar “A Residência” e será servido por um mordomo treinado pelo Savoy Hotel. 

Uma pessoa ou um casal pode pedir qualquer coisa que queira comer ou beber, desfrutar de uma sala de estar com uma televisão de 32 polegadas, um banheiro privativo com uma pia envidraçada e um chuveiro, e então ir descansar num quarto, igualmente dotado de TV. Os ocupantes terão privacidade completa e nunca verão os demais passageiros ou a tripulação.

A passagem para uma ou duas pessoas custará, por exemplo, US$ 20.000 num voo de ida de oito horas entre Londres e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, onde fica a sede da Etihad. Metade dos voos de Londres já foi reservada até meados de janeiro, diz o diretor-presidente da Etihad, James Hogan.

A Residência, montada no nariz de um avião de dois andares, vai estar disponível em maio nos voos de Abu Dhabi para Sydney e até o fim do ano nos voos para Nova York. Os passageiros vão desde autoridades de governos e executivos de firmas de investimento até celebridades e milionários querendo comemorar um aniversário com estilo.

“Enxergamos uma oportunidade de usar aquele espaço para criar algo diferente”, diz Hogan.

Empresas aéreas do mundo todo estão competindo entre si para atrair passageiros endinheirados para a primeira classe e tirá-los dos jatos particulares, que podem custar US$ 100.000 em uma viagem de Nova York ao Oriente Médio e ainda requerem uma parada para abastecer.

A classe executiva se tornou o que a primeira classe costumava ser: fileiras de poltronas amplas com um serviço e comida de qualidade. Isso significa que a primeira classe precisa ter algo realmente especial para justificar o preço elevado, que pode ser até 20 vezes maior que uma passagem na classe econômica. Nos novos aviões de grande porte capazes de voar distâncias maiores, as empresas têm mais espaço interior para dedicar aos clientes de alta renda.

“Há um foco crescente das companhias aéreas nos padrões de serviço, qualidade e comida que não existia até dois anos atrás”, diz Terry Daly, vice-presidente da Emirates, outra empresa dos Emirados Árabes.

A Singapore Airlines tem suítes de primeira classe nos seus A380s, camas dobráveis separadas e portas deslizantes com cortinas para proporcionar privacidade.

Já a Lufthansa instalou camas separadas das poltronas na primeira classe de seus jatos Boeing 747-400. Em alguns outros aviões, poltronas se desdobram em camas cobertas com colchões de espuma.

A divisória entre as suítes no meio do avião pode ser baixada para formar uma cama de casal. Os comissários de bordo, porém, podem ver as suítes de cima e elas não são à prova de som. A Singapore pede aos passageiros de primeira classe, contudo, que não façam nada proibido para menores em respeito aos demais passageiros.

A United e a American Airlines, as únicas grandes companhias aéreas dos Estados Unidos com serviço internacional de primeira classe (a Delta só tem classe executiva nos voos internacionais de longa distância) melhoraram um pouco as suas primeiras classes, mas ainda estão longe de oferecer suítes privativas. As Suítes Flagship que a American Airlines instalou nos voos internacionais de seus aviões Boeing 777-300ERs contam com poltrona giratória que pode se desdobrar numa cama de cerca de dois metros de comprimento, mas elas não possuem portas de privacidade.

Os A380s da Emirates possuem dois chuveiros na primeira classe. Passageiros têm direito a cerca de cinco minutos de suprimento de água à pressão máxima. Um medidor muda de verde para amarelo e vermelho à medida que a água é usada. No total, os passageiros podem passar perto de 20 minutos no chuveiro.

O avião normalmente carrega em torno de 500 litros de água potável para uso nos chuveiros, o que acrescenta meia tonelada ao seu peso, o semelhante a transportar cinco passageiros a mais e suas bagagens. “O custo é menor que as pessoas pensam”, diz Hubert Frach, vice-presidente sênior da Emirates.

A Emirates também está desenvolvendo novos produtos de luxo, diz ela, mas observa que há um limite para o espaço que a empresa está disposta a conceder aos passageiros. “Temos que ser lucrativos”, diz.

A Etihad afirma que será. Os dez A380s que a empresa vai receber da Airbus terão 70 assentos de classe executiva no andar superior, juntamente com nove cabines regulares de primeira classe e a Residência. Os novos assentos das cabines regulares de primeira classe ficarão atrás de portas corrediças e terão 74% mais espaço que uma cabine de primeira classe típica da Etihad.

A Etihad já tem equipes de cozinheiros para a primeira classe nos seus voos. Eles preparam carnes de frango e peixe já temperadas em terra e cozinhadas no ar. Enrico Nanchioli, um chef de Turim, Itália, que já trabalhou em restaurantes na Suíça, Alemanha, Brasil e Estados Unidos, conversa com passageiros sobre o que eles gostariam de comer. “É como ter se próprio restaurante”, diz Nanchioli.

A Residência, que tem três quartos, é localizada numa área do andar superior do A380 que as empresas aéreas têm dificuldade de aproveitar com eficiência, acima da cabine do piloto. O espaço é muito estreito para assentos regulares. De fato, algumas empresas decidiram usá-lo como uma área comunitária, dotada de um sofá comprido ao longo da parede do avião. Outras a usam para chuveiros e banheiros.

Hogan diz que a área era praticamente um “espaço morto”. Um projeto de sete anos para o A380 resultou na Residência, que a empresa inicialmente cogitou chamar de Penthouse.

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