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O homem do kctão


Nos próximos dias, quando o avião cargueiro KC-390 realizar seu voo inaugural pelos céus do interior de São Paulo, o executivo Frederico Curado, presidente da Embraer, vai comemorar ao seu estilo, com enorme discrição. 

Não é que ele não se importe com grandes conquistas, ainda mais essa que marca o sucesso da maior aeronave já produzida pela empresa de São José dos Campos. O jato bimotor é considerado inovador no segmento, pelos especialistas, seja por sua capacidade de carga de 23 toneladas, seja pela versatilidade, pois pode executar atividades distintas que vão do transporte militar às operações de busca, resgate e evacuação.

Nas celebrações, o carioca Curado, 53 anos, é apenas reservado. Prefere entregar os méritos à sua equipe e utilizar o feito como motivação para o próximo projeto. Seu estilo de gestão combina mais com o de um enxadrista do que com o de um artilheiro de Copa do Mundo.

“O Fred se mostrou um estrategista, que pensa vários movimentos à frente”, diz o comandante Francisco Lyra, sócio da consultoria C-Fly Aviation. “Dominar as informações no segmento de tecnologia é absolutamente indispensável, e ele reforçou e fomentou as estruturas internas para isso.”

Fred, como é chamado no meio da aviação e pelos funcionários da Embraer, fica orgulhoso pelos feitos, mas pensa sempre na jogada que está para acontecer. “O sucesso do passado não garante o futuro”, diz Curado, que foi escolhido pela DINHEIRO o EMPREENDEDOR DO ANO NA INDÚSTRIA EM 2014. 

A obsessão de Curado em antecipar-se ao futuro foi uma de suas primeiras características conhecidas pelo mercado, ao assumir a presidência da Embraer, em 2007. Mas foi uma marca que riscou a fuselagem. Em 2009, ele precisou demitir 4,2 mil funcionários para evitar que a crise financeira mundial, que teve início no ano anterior, derrubasse a empresa.

Muitas compras haviam sido canceladas e o caixa da empresa estava baixo. Estudioso do mercado de aviação, que acompanha desde os anos 1970 quando frequentava o curso de engenharia mecânica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ele relaciona os concorrentes que não souberam lidar com grandes mudanças e confiaram apenas no sucesso do passado.

 Algumas, como a Saab e a British Aerospace, abandonaram a aviação comercial; outras, como a alemã Dornier, faliram. Ajustar o tamanho da empresa foi seu pior momento à frente da Embraer.

“O ônus da decisão, só eu sei qual foi”, afirma Curado. “Mas tem tantas coisas boas. Cada vez que voa um avião pela primeira vez é uma sensação maravilhosa.” O voo mais alto de Curado aconteceu em solo, quando prometeu fazer da Embraer uma referência em aviação executiva e entrar para o restrito clube de gigantes do setor. 

Em sete anos, a marca Phenom, de jatos pequenos, se tornou referência no segmento. No comercial não é diferente, com a conquista de contratos importantes de renovação da frota de companhias de aviação regional dos Estados Unidos.

Por conta disso, a empresa fechará o ano com uma carteira recorde de pedidos, de mais de US$ 22,1 bilhões. “O Fred enxerga rotas seguras de crescimento e toma decisões confiando que vai dar certo”, diz o coronel Ozires Silva, fundador e ex-presidente da Embraer, que foi homenageado, neste ano, nos EUA, pelos 35 anos de operações da subsidiária de Fort Lauderdale, na Flórida. 

Curado fez questão de acompanhá-lo no evento. E, desta vez, deixou seu estilo de lado para mergulhar num grande feito do passado.

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