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Nostalgia

Luxo para poucos. O Papa João Paulo II foi um deles.
O Concorde foi o avião de passageiros mais glamouroso que já existiu. No período em que operou - de 1976 a 2003 - poucas coisas no mundo eram tão luxuosas quanto viajar a bordo de um.

Cada voo transatlântico levava cerca de cem passageiros a uma velocidade superior à de um tiro de rifle. A alta velocidade vinha a um custo estimado em R$ 16 mil em valores de hoje.
A aeronave revolucionária era um desafio para designers e pilotos. O desenho das asas do Concorde foi inspirado em caças menores. A cabine de comando se deslocava para frente quando a aeronave se aproximava da velocidade Mach 2 (o dobro da velocidade do som), deixando o avião com seu clássico formato de agulha.

Recentemente, gravações em áudio no arquivo da BBC revelaram um lado menos documentado do Concorde - o de seu desenvolvimento ao longo dos anos.



O primeiro clipe de som é de 1969, ano em que o Concorde realizou seu primeiro voo teste. Foi a primeira vez que se registrou o barulho característico da aeronave.

O capitão Jimmy Andre, que conduziu os testes, registrou na gravação: "O avião se comporta muito bem".

Segundo ele, o Concorde se comportava melhor que qualquer avião que ele já havia pilotado - inclusive o Boeing 747, que era uma das grandes máquinas da época.

Andrew descreve o Concorde quase como um avião perfeito - agradando a pilotos e passageiros. Ao longo de sua história, só os mais ricos puderam comprovar essa observação.

Para os passageiros, o Concorde era o auge da sofisticação. Apesar de hoje em dia a cabine de passageiros ser razoalvemente pequena para os padrões modernos de qualquer Airbus, na época o Concorde era tido como um ambiente de luxo.

No serviço de bordo, os passageiros eram tratados com quatro marcas diferentes de champanhe e uma refeição com três pratos.


Andrew diz que os instrumentos de bordo eram razoavelmente convencionais, mas que o avião também tinha uns botões "bacanas", computadorizados.

Dez anos depois, a BBC voltou a registrar as impressões dos pilotos sobre o Concorde. Em 1979, a empresa já operava voos transatlânticos regulares.

Uma das inovações da época era o Sistema de Navegação Inercial (INS, em inglês), que permitia que a aeronave calculasse sua posição e velocidade. O que na época era o auge da sofisticação hoje não se compara com a navegação por GPS possível com qualquer smartphone.

Em 2003, o Concorde foi aposentado, após décadas em que só um acidente foi registrado, pouco depois de decolar de Paris. Mas o legado da aeronave ainda sobrevive entre pilotos.

Engenheiros estão trabalhando em um avião de passageiros semelhante, que permitiria viajar de Londres a Nova York em apenas uma hora. O objetivo dos engenheiros é atingir velocidade recorde de Mach 8 - ou 9,8 mil quilômetros por hora, considerada hipersônica.

A viagem mais rápida registrada por um Concorde está longe disso. Em 7 de fevereiro de 1997, o capitão Leslie Scott atravessou o oceano entre os Estados Unidos e o Reino Unido em duas horas, 52 minutos e 59 segundos.

Enquanto o novo futuro das aeronaves hipersônicas não chega, alguns poucos e sortudos pilotos e passageiros ao menos têm um passado glorioso de lembranças do Concorde.

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