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Lucro fácil


Companhias aéreas do mundo inteiro receberão uma contribuição inesperada de US$ 12 bilhões para seus lucros porque o desmoronamento mundial do petróleo está reduzindo os custos do combustível para jatos, o maior gasto em um setor que foi afetado pelo crescimento vertiginoso dos preços das commodities na década passada.

A economia promete engrossar os lucros e, nos EUA, recompensar os acionistas com dividendos aumentados ou recompras de ações. Quem vai ficar de fora até agora são os consumidores, sendo que muitas operadoras ainda estão preenchendo assentos sem ter que empregar descontos.

Diferentemente do acontecido em 2008 e 2009, quando a estagnação da demanda por viagens restou impulso ao colapso de 51 por cento do combustível após tocar seu pico, o desmoronamento do petróleo bruto para sua mínima em cinco anos está proporcionando um vento favorável para as companhias aéreas, que estão registrando lucros recordes.

Os lucros em 2015 aumentarão 25 por cento para US$ 25 bilhões, segundo a International Air Transport Association (IATA), a associação do setor para as principais linhas aéreas do mundo.

“Eles estão dançando nos corredores dos seus aviões”, disse George Hobica, presidente do site de preços de passagens aéreas Airfarewatchdog.com, com sede em Nova York. “Toda a produção nos Estados Unidos, o petróleo de xisto e o fato de a OPEP não ter aumentado a produção – talvez o petróleo caro fosse uma aberração”.

Os investidores estão dando as boas-vindas a um alívio proporcionado pelo petróleo bruto Brent, cuja média superou US$ 100 por barril em 2012 e 2013. Liderado pela China Eastern Airlines Corp. e pela Air China Ltd., o Bloomberg World Airlines Index cresceu 25 por cento neste trimestre, ao passo que o Brent despencou 37 por cento.

Bom momento

As operadoras americanas, fortalecidas por fusões desde 2008, também aproveitarão a nova era. A American Airlines Group Inc., que não salvaguarda suas aquisições de combustível, disse que poderia economizar mais de US$ 2 bilhões no ano que vem. Mesmo sofrendo perdas por contratos de combustível atrelados a preços mais altos, a Delta Air Lines Inc. disse que espera pagar cerca de US$ 1,7 bilhão a menos pelo querosene para jatos em 2015, e a Southwest Airlines Co. prevê uma economia de US$ 1 bilhão.

O dispêndio em combustível do setor em 2015 cairá para US$ 192 bilhões frente a US$ 204 bilhões neste ano mesmo com uma alta de 4,8 por cento no consumo, disse a IATA. O combustível para jatos de entrega imediata no porto de New York, uma referência para as linhas aéreas americanas, despencou 38 por cento para 51 centavos de dólar por litro neste ano. O petróleo bruto Brent afundou 46 por cento, encerrando ontem a US$ 59,86 por barril.

Economias estagnadas na Europa e em partes da Ásia tornam improvável que companhias aéreas fora dos EUA sigam a mesma trajetória do que suas contrapartes americanas mais lucrativas. As operadoras dos EUA provavelmente invistam o economizado em recompras de ações e na retirada de dívidas, disse Joseph Denardi, analista da Stifel Financial Corp. em Baltimore

Longo prazo

O atual patamar de preços poderia acabar sendo um mau presságio para o setor, como precursor do crescimento econômico lento que asfixia as viagens. No longo prazo, o fenômeno também poderia prejudicar a Boeing Co. e a Airbus Group NV, cujos livros de pedidos estão cheios de milhares de jatos com entregas agendadas até o final desta década e anos posteriores.

Hobica da Airfarewatchdog disse que atualmente a única pressão sobre as passagens vem de questões geopolíticas e está se refletindo em ajustes como aqueles feitos pela OAO Aeroflot da Rússia. Enquanto os passageiros não decidirem ficar em suas casas, as operadoras manterão os preços, disse Hobica em entrevista por telefone.

“As companhias aéreas não querem devolver o dinheiro a menos que sejam forçadas”, disse Hobica. “Eles não vão fazê-lo a menos que as pessoas parem de viajar em avião”.

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