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As vantagens da pulverização aérea

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Os aviões agrícolas são, cada vez mais, um dos itens desejados em algumas fazendas. Quase um quarto da pulverização de lavouras de grãos (soja, algodão, milho, arroz, feijão e trigo), além de cana de açúcar e laranja, é feita por aviões no Brasil. O país tem a segunda maior frota de aeronaves agrícolas do mundo, 1,9 mil unidades, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que têm cerca de cinco mil aeronaves.

Com 446 aeronaves, Mato Grosso tem a maior frota do país (23,6%), seguido de perto pelo Rio Grande do Sul, que tem 441 aeronaves, de acordo com dados do Registro Aeronáutico Brasileiro em 2013.

O agricultor Wanderson Ricardo Mazzardo, que planta grãos em Sinop, região Norte de Mato Grosso, conseguiu fazer esse investimento no primeiro semestre deste ano, comprando o avião em parceria com outros produtores. 

Ele quer ganhar tempo no combate a pragas e doenças. Segundo ele, com a pulverização aérea, os custos com piloto e manutenção são mais caros, mas são compensados pelo fato de não haver amassamento de soja e por ter rapidez na aplicação.

“Segundo estudos, falam na faixa de duas a três sacas por hectare que você amassa com o [pulverizador] terrestre. E sem contar a questão de você poder aplicar no horário certo. O avião é no mínimo de cinco a seis vezes mais rápido que o pulverizador terrestre”, afirma o piloto de avião, Alex Picolli.

Outra vantagem destaca por Mazzardo é que a pulverização aérea dificulta a disseminação de pragas e doenças de uma parte a outra da lavoura. “O avião não entra em nenhuma hora em contato com a cultura. Então a disseminação dele da doença é muito menos que a aplicação por pulverizador”, comenta.

O valor de um avião pode variar entre R$ 950 mil a R$ 4 milhões de reais, sendo que a capacidade pode variar de 750 a 3 mil litros do produto a ser pulverizado.

O custo pelo uso do avião, piloto e combustível está em torno de R$ 16 por hectare em Mato Grosso. As aplicações pedem muita habilidade do profissional e, além dos benefícios que atraem os produtores, também chamam a atenção para a profissão de piloto. O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindac) estima que no país são 1,2 mil pilotos.

Depois de trabalhar dois anos como piloto comercial, Alex Picolli resolveu mudar de ares e há quatro anos atua na área agrícola. “O piloto comercial você fica muito tempo fora de casa, muito longe. 

Você pega para viajar pra fora. Então eu prefiro mais o agrícola, porque você está perto de casa e está sempre em uma base só. Então fica mais tranquilo, mais perto de casa mesmo”.

O piso salarial da categoria é de pouco mais de R$ 1,8 mil. O piloto contratado recebe ainda 15,5% do faturamento conseguido com a aeronave em um ano. Sinop, que está em uma posição estratégica neste mercado promissor, tem uma escola de pilotos. Entre os alunos, mulheres também têm se preparado para decolar na profissão.

"Sempre tive sonho de aviação, e vejo a profissão de piloto muito admirada hoje em dia. Eu pretendo continuar com o curso privado e pretendo atuar no piloto agrícola", planeja Fernanda Dalamaria, escriturária.

Segundo o piloto e gestor de segurança operacional, Otávio Freo, a remuneração é boa para quem deseja ser piloto agrícola. "Hoje em dia, é uma profissão que tem uma renda boa. O piloto ganha em torno de R$ 2,50 a R$ 2,30 por passada por hectare”, destaca.

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