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O queridinho da torcida

Black Eagles: Equipe acrobática coreana que usa o KAI T50
Diante da possibilidade da aquisição de um número maior de Gripens, os entusiastas dos fóruns e grupos do Facebook passaram a se preocupar em como será o treinamento dos futuros pilotos do nosso caça. 

Atualmente os pilotos da FAB passam pelo A-29 Super Tucano na sua formação como caçadores e posteriormente passam por aeronaves de conversão F-5F ou A-1B. Muito tem sido falado de que este pulo de um turbo hélice como o Tucanão para um jato supersônico como o F-5 não é um transição tranquila. 

Diante disso, alguns comentaristas de fóruns defendem a aquisição de um treinador a jato avançado que fizesse essa transição. Nas discussões que tenho acompanhado, essa aquisição é um consenso, porem esta sendo difícil chegar-se a um acordo de qual a melhor aeronave para tal tarefa.

Existe uma corrente nacionalista que defende que tal tarefa seja desempenhada pelo A-1B, um avião projetado para funções de ataque mas que tem como vantagem o fato de ser nacional. Segundo minhas informações de arquivo que podem estar desatualizadas, a FAB teria 11 aeronaves desse tipo.


Atualmente esses aviões estão em um processo de modernização pela Embraer, que atualmente esta atrasado por falta de repasses federais, mas que permitiriam que a aeronave voasse até 2035, segundo alguns especialistas. Este é o primeiro problema dessa ideia, afinal, nossos Gripens devem voar até meados de 2055. Como seria o treinamento entre 2035 e 2055?

Alguns defendem a volta da fabricação, porem a linha de produção brasileira do AMX foi fechada há muito tempo. A Embraer, fabricante nacional, não deve ter mais o ferramental necessário para a montagem e muitas peças foram fornecidas "prontas" da antiga fabrica italiana, que foi adquirida posteriormente pela Alenia.

Atualmente contamos com o suporte da italiana Alenia para parte da manutenção dessas aeronaves. Na Itália, muitas células foram armazenadas para garantir o fornecimento de peças no futuro que provavelmente será escasso. Sendo assim, somos obrigados a voltar os olhos para outra aeronave.

Atualmente a guerra pelo mercado de treinadores avançados tem sido disputada pelo M346 italiano, o Yak130 Russo, pelo coreano KAI T50 e agora pelo L15 chines. Todos eles possuem FBW, sendo os dois últimos supersônicos. Seus preços variam de 30 a 50 milhões de dólares de acordo com o "pacote" adquirido na compra.

M346 Israelense: Agora Lavy
Com a argumentação de que somos um pais onde a Força Aérea carece de recursos, muitos entusiastas defendem a aquisição de uma aeronave que além de treinador avançado, tenha capacidades de ataque e/ou defesa aérea, descartando com esse argumento o M346. Tal argumentação não procede, uma vez que o aviãozinho já foi visto por aí armado.

Na realidade, pesa em favor do M346 a escolha deste pela Força Aérea de Israel e judeu, não é burro! Tanto que já configurou seu aviãozinho de acordo com a sua necessidade e o rebatizou de Lavy. Fora a tradição da parceria entre Embraer e os italianos que remonta o tempo do Xavante.

Em favor do Russo e do Chines, para variar o argumento é o preço baixo. Nossa vizinha "Venezuera" anunciou recentemente a escolha do supersônico chinês L15 para a tarefa de treinamento, fora a aquisição de mais treinadores subsônicos K8. Este último é um velho conhecido do site Aerofatos pelas manchetes de acidentes. Não é preconceito, mas isto não seria uma sinalização para termos ressalvas ao fornecedor chinês? Detalhe: o motor do L15 é russo... Sabe quem estão culpando pelo recente acidente chinês de J10?


Seja o italiano, o russo ou o chinês, todos tem a segurança de serem movidos por dois motores, coisa que não acontece no queridinho da torcida brasileira: o KAI T-50 Golden Eagle. Digo queridinho, porque ao indagar em um famoso grupo do Facebook qual deveria ser o treinador escolhido houve um maior numero de votos para o coreano.

Produzido em três versões diferentes, o Golden Eagle nasceu graças a transferência de tecnologia da Lockheed após a compra de uma grande quantidade de F-16 pela Coreia. Utiliza um motor GE 404 modificado com um sistema FADEC e construído sob licença pela Samsung. Dos quatro treinadores que disputam o mercado é o mais caro.

Possui uma versão multifunção (FA50) que tem uma performance semelhante ao F5 e provavelmente disputará o futuro mercado de caças leves juntamente com o sino-paquistanês JF17 e o indiano Tejas.

Uma questão que fica no ar é que, diferente dos caças indu e paquistanês que estão caminhando para uma versão Block II ou MK II com motores mais potentes como o GE F414, não estamos vendo notícias recentes de um Super Golden Eagle. Já foi falado que o caça teria futuramente um motor mais potente, mas o assunto não voltou a tona.

Na realidade, o que estamos lendo aponta para o desenvolvimento de caças coreanos de uma nova geração e com outro desenho. Provavelmente o Golden Eagle tenha sido apenas um "projeto de estudante" onde a indústria coreana aprendeu o que era possível e agora busca um novo rumo.

O FA50: versão multi função do Golden Eagle
O queridinho da torcida, já foi o meu queridinho também quando o FX da FAB ainda não tinha uma definição. Em momentos de desespero, defendi o FA50 por ser um terço do preço do próprio Gripen. Porém como já escolhemos como caça principal um caça de pequenas proporções de peso e tamanho, não faz mais sentido continuar defendendo o Golden Eagle, muito menos para treinador, já que sua performance sugere que mantê-lo não seria barato.

Mas afinal, qual deveria ser o treinador? Vamos lembrar que os nossos primeiros Gripens devem ser células emprestada da Força Aérea Sueca, portanto, provavelmente teremos algumas unidades da versão de dois lugares. Sendo assim, a conversão dos primeiros pilotos deve estar garantida.

Porem isso é uma situação provisória e devemos nos preocupar com o cenário daqui alguns anos quando tais células deverão ser provavelmente devolvidas. Diz a lenda que a versão de dois lugares da nova geração de Gripens será missão da Embraer.

Segundo o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite, "Missão dada é missão cumprida". Pena que o brasileiro distorce o português e torna a missão "comprida", isto é, o tempo para realizá-la sempre é mais comprido (longo) do que o planejado. O que me deixa tranquilo e ao mesmo tempo assustado é que o brasileiro sempre acha um jeitinho.

Talvez a resposta venha de fora pois o governo americano também precisa substituir seus T-38 nos próximos anos. Os otimistas acreditam que isto orientaria as nações na aquisição de um único treinador ocidental. Já os pessimistas estão pintando velhos T-38 nas cores da FAB. Deus me livre!
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