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Havoc para o mundo


No início de julho de 2014, imagens de reportagem da agência de notícias iraquiana NINA News reproduziram a montagem de no mínimo três helicópteros de fabricação russa reconhecidos por especialistas como sendo a versão para a exportação do novíssimo helicóptero Mi-28N (designado pela OTAN de “Havoc”). 

O helicóptero, concebido para ser o oponente do americano AH-64D “Apache” na Guerra Fria irá participar, na qualidade de integrante do exército do Iraque, dos combates contra os fundamentalistas islâmicos que tomaram grande parte do território do país. 

Os primeiros veículos começaram a chegar ao Iraque ainda no verão. Em 29 de outubro,  após a sua preparação para a utilização operacional em combate, foi realizada uma cerimônia oficial na qual os helicópteros foram entregues ao exército na presença do ministro da Defesa iraquiano, Khalid al-Obeidi. Falta pouco tempo para o batismo em combate do Mi-28N.

Trinta anos de testes

O caminho do Mi-28 tanto em direção ao Exército russo, quanto ao mercado mundial foi longo e espinhoso. O aparelho realizou o seu primeiro voo há exatamente 32 anos, em novembro de 1982, mas acabou não conseguindo conquistar a simpatia dos militares até 1987 e não entrou para a produção em série.


No entanto, o Escritório de Design Mil (Mikhail Mil foi um renomado designer de helicópteros e cientista soviético) continuou a trabalhar no helicóptero e em meados dos anos 90 conseguiu construir uma versão adaptada a todas as condições meteorológicas, o Mi-28A, que ao realizar o seu primeiro voo em 1996, recebeu o índice N e o título de “Caçador Noturno”. 

A perseverança foi recompensada. No início da década de 2000, o Mi-28 acabou se tornando o homólogo russo do Apache e, desde 2006, começou a ser fornecido para o Exército e foi adotado como principal helicóptero de combate em 2009.

O Mi-28N foi projetado para destruir tanques, força viva e alvos aéreos de baixa velocidade. Para atingir a força viva e veículos blindados leves pode ser usado o canhão de 30 mm NPPU-28 e contra os tanques e abrigos duráveis do inimigo, os mísseis guiados "Ataka-B". No arsenal do helicóptero também está presente o míssil ar-ar "Igla-B”, projetado para destruir drones, helicópteros e mísseis de cruzeiro.

As cabines blindadas do helicóptero resistem ao impacto de projéteis de 20 mm. Isso foi conseguido graças à utilização de blindagem de alumínio em conjunto com elementos de blindagem cerâmica. O equipamento bloqueador de sinais e a redução em duas vezes da visibilidade na faixa da radiação infravermelha, em comparação com o Mi-24, são os recursos previstos para a proteção contra os sistemas portáteis de defesa aérea.

Se ainda assim o helicóptero sofrer danos incompatíveis com a continuação do voo foram previstas duas variantes que possibilitam a sobrevivência da tripulação. No caso do veículo ser atingido a uma altitude superior a 100 metros, as lâminas e as portas das cabines são ejetadas juntamente com os paraquedas e rampas especiais são infladas. 

Mas se o aparelho for atingido a uma altitude inferior a 100 m um algoritmo diferente é utilizado –os membros da tripulação prendem-se com cintos em poltronas especiais “Pamir-K”, capazes de reduzir em quatro vezes a energia da sobrecarga e, ao cair, o impacto será amortecido por trens de pouso especiais.

O caminho para o campo de batalha

O novo helicóptero foi bem recebido pelo Exército russo. Em Torjok (cidade em que se localiza um Centro de Treinamento e Reciclagem das Tripulações de voo da Aviação do Exército, que inclui um regimento de treinamento e testes em helicópteros), foram feitos os seguintes comentários sobre a nova aquisição: 

"O Mi-28N é um veículo muito compacto. Só com ele é possível fazer uma inversão de marcha de 70 graus, um ‘slide’ ou um mergulho a 60 graus. E tudo isso com alterações milimétricas do botão de comando. O veículo é muito sensível, mas mantém a estabilidade na presença de vento lateral e do que vem de encontro. Não havia nada disso no Mi-24."

Após o sucesso na terra natal, existiam planos de que o helicóptero consolidasse a sua posição também nos mercados estrangeiros. Em 2008, B. Sliusar, diretor geral da JSC Rostvertol, citou a Índia, a Argélia e a China como possíveis compradores. No mesmo período, a Venezuela também manifestou interesse em relação ao Mi-28N. Os gestores da Rosvertol tinham até anunciado planos de assinar um contrato com o país sul-americano em 2009.

No entanto, o negócio com a Venezuela não deu certo, a China não demonstrou qualquer interesse e, em 2011, na concorrência para o fornecimento de 22 helicópteros de ataque para a Índia, o "Caçador Noturno" perdeu para o seu velho adversário AH-64D.

"Os dois veículos funcionaram muito bem, mas o americano demonstrou superioridade em aspectos fundamentais, como recursos mais avançados e utilização em quaisquer condições meteorológicas”, disseram os militares indianos sobre os resultados da concorrência.


Os especialistas russos foram ainda mais rudes. "A vitória dos helicópteros russos teria sido um milagre", declarou Mikhail Barabanov, editor da revista “Moscow Defense Brief”, observando que o Mi-28, ainda muito cru na época, não tinha condições de competir “com o veículo americano, construído numa quantidade de aproximadamente 1.000 peças e que estava combatendo no Afeganistão e no Iraque". 

Konstantin Makienko, especialista do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, declarou que “a participação do Mi-28 no concurso por si só pode ser considerada um sucesso, pois até poucos anos atrás, a Rússia simplesmente não possuía um veículo que pudesse participar de uma concorrência desse tipo".

Finalmente, em 2012, soube-se que o mais avançado helicóptero russo está sendo comprado justamente pelo Iraque, de onde as tropas americanas foram retiradas há menos de um ano. O curioso é que no remoto ano de 1990, o fornecimento dos helicópteros Mi-28 deveria ter começado no Iraque. Mas o contrato foi rompido por causa da Guerra do Golfo. Em 2012, o pedido de 15 Mi-28N fez parte de um contrato para o fornecimento de equipamento militar da Rússia no valor de US$ 4,3 bilhões.

Em 2014, o helicóptero alcançou mais um sucesso. Em fevereiro, o Mi-28NE foi encomendado pelo Egito (a quantidade por enquanto é desconhecida) e em março as negociações com a Argélia, que se prolongaram desde 2007, resultaram em uma encomenda de 42 veículos de uma só vez.

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