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O premiê da Suécia, Stefan Löfven, disse que a venda de 36 caças Gripen para o Brasil por US$ 5,4 bilhões é “um negócio que vai muito além do que apenas uma aeronave” e negou pressão para que o governo brasileiro assinasse o contrato com a empresa sueca Saab antes do segundo turno das eleições presidenciais entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, ocorrido no último dia 26 de outubro.

A Aeronáutica oficializou a compra de 28 jatos Gripen E (de um assento) e 8 Gripens da versão F (de duas posições, para treinamento) em 24 de outubro. Os 36 aviões ainda estão em desenvolvimento e o contrato prevê transferência de tecnologia para que a indústria nacional aprenda a produzir um caça de última geração. Só chegarão a partir de 2019, com data final de entrega em 2025.

Em entrevista a jornalistas brasileiros em Estocolmo na última sexta (7), Löfven disse que era "um negócio entre a companhia [Saab] e o país. Eu fui informado sobre a transação em geral, mas não especificamente sobre o momento”.

O premiê, eleito mandatário do país escandinavo em setembro último, evitou  dizer se os US$ 5,4 bilhões seriam um valor exagerado em aeronaves de combate, enquanto o Brasil possui problemas em outros setores. Ele disse que a Suécia também aumentará os gastos com defesa nos próximos anos devido a questões regionais - defesa do Mar Báltico e o conflito entre Ucrânia e Rússia.

“A primeira coisa que tem que se dizer é que o Brasil é um país democrático e tomou sua própria decisão. Nós vamos aumentar os gastos em defesa nos próximos anos, pois fizemos uma análise da situação [regional sueca]", declarou.

"O Brasil tem que fazer sua própria análise e nós não podemos de qualquer forma comentar, é um tema particular do país. Nós acreditamos que, quando o Brasil fez sua evolução e entendeu que precisava da aeronave, nós dissemos: 'Nós temos uma boa aeronave'. Ela é importante, é a base do negócio. Mas há muito mais envolvido. É sobre tecnologia, inovação, a cooperação industrial que nossa autoridade de inovação está construindo em São Bernardo do Campo. Isso é o futuro, são novos empregos, não é só compras militares. É tecnologia em várias áreas diferentes e nós acreditamos que essa cooperação é muito boa para os dois países.”

A Saab disse que investirá US$ 150 milhões para as instalações físicas da fábrica no ABC Paulista e a transferência de equipamentos e máquinas. Parte dos caças serão produzidos nessa localidade. Cada aeronave custa cerca de US$ 100 milhões e a previsão é de que cerca de 80% da estrutura dos aviões seja produzida no Brasil.

“É um bom negócio e nós definitivamente vamos estreitar nossas relações”, acrescentou ele, referindo-se a um polo industrial que a Saab planeja no interior paulista para o desenvolvimento e produção de peças do Gripen. “Eu definitivamente acredito ser uma boa oportunidade.”

"Parceiro estratégico"

Löfven disse que o acordo sobre os Gripen torna o Brasil um parceiro estratégico da Suécia na área industrial. “Eu definitivamente acredito nisso. O negócio é muito mais que apenas uma aeronave. A cooperação que estamos iniciando em São Bernardo do Campo é um comprometimento de longo prazo", declarou.

"Claro que nós ficamos mais ligados, parceiros. E eu acho isso muito bom porque também estamos aprendendo sobre o Brasil”. Löfven foi metalúrgico e diz que é amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Temos o mesmo histórico na indústria e é muito mais fácil falar um com o outro nos momentos em que nos encontramos”.

O processo de compra dos caças começou em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso, e previa a compra de 12 supersônicos com a transferência de tecnologia do fabricante para a Força Aérea Brasileira (FAB), que culminaria em um total de 120 unidades fabricadas no Brasil.

Devia ser assinado até 2004, quando terminava a validade das propostas. Mas a decisão foi adiada para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, que, no lugar do FX, lançou o programa FX-2. Três países disputavam a venda das aeronaves ao Brasil – Estados Unidos, com caças de modelo F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing; Suécia, com o Gripen, da empresa Saab; e França, com os jatos Rafale, da companhia Dassault.

Brasil na ONU

Löfven expressou ainda estar “na hora de novas boas regras na ONU”, para que o organismo atue de forma mais “transparente e aberta”, o que incluiria, segundo ele, uma reforma no Conselho de Segurança, cuja participação como membro permanente é uma aspiração brasileira. Atualmente o Conselho de Segurança é formado por China, Rússia, Estados Unidos, França e Reino Unido.

Questionado sobre se apoiaria a entrada do Brasil no grupo, ele se disse disposto a conversar sobre o tema. “Há mais países, que não só aqueles cinco, que também podem ser membros permanentes. É claro que podemos dialogar e ver o que é que é possível desenvolver no assunto”, afirmou.

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