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Esses sindicalistas


Os trabalhadores metalúrgicos da Embraer decidiram em assembleia do Sindicato dos Metálurgicos de São José dos Campos, realizada nesta terça-feira (21), entrar em uma greve de 24 horas pelo aumento do salário da categoria. A greve coincide com a apresentação oficial do protótipo do cargueiro KC-390 pela empresa, que é o primeiro avião cargueiro de grande porte fabricado pela indústria brasileira. Segundo estimativas do sindicato, sete mil funcionários que trabalham na produção e no administrativo estão parados.

Os metalúrgicos reivindicam 10% de reajuste, que corresponde a 3,4% de aumento real, contra a proposta da empresa, que ofereceu reajuste de apenas 6,6% (0,24% de aumento real).

O vice-presidente do sindicato, Herbert Clarosa afirmou que "O motivo principal é a campanha salarial, e estamos em negociação desde o mês de julho. A empresa fez duas propostas que foram muitos ruins. A empresa há mais de três semanas não se manifestou mais em relação à nossa contraproposta então a gente decidiu fazer a assembleia”.

Apesar de ser a maior empregadora metalúrgica da região e passar por um momento de vendas em alta, a empresa vai pagar uma das Participações de Lucros e Resultados (PLR) mais baixas da categoria. Cada trabalhador receberá um fixo de R$ 912,31 mais 12,44% sobre o salário. Um funcionário que recebe R$ 3 mil, por exemplo, terá uma PLR de apenas R$ 1.285,51. No primeiro semestre deste ano, o lucro da Embraer cresceu 955% em relação ao mesmo período de 2013.

KC-390

A decisão de dar início à greve no mesmo dia do anúncio do novo avião da empresa não é mera coincidência. Na verdade, ela é parte do argumento dos trabalhadores para justificar sua mobilização. O protótipo do avião é fruto de um contrato de dois bilhões de dólares firmados entre a empresa e a Força Aérea Brasileira (FAB), que pretende substituir os antigos aviões Hercules, fabricado pela empresa americana Lockheed.

“Foi justamente por isso que a gente escolheu essa data, porque nós temos uma crítica a esse projeto, porque ele está recebendo dinheiro público e está sendo comprado pelo governo brasileiro. E esse cargueiro tem mais peças feitas fora do Brasil, do que daqui de dentro, e isso é um absurdo”, disse o diretor.

Segundo o sindicato, o governo federal gastou um total de R$ 7,2 bilhões no projeto para 28 unidades, no entanto, este será o avião com o maior número de componentes fabricados no exterior, o que para eles, é sinal de uma política de desnacionalização da empresa.

Além do KC-390, outros aviões estão passando por esse processo de desnacionalização, como o Phenom, Legacy e a família da segunda geração dos E-Jets. Com isso, diversas fábricas de fornecedores de componentes estão fechando e demitindo funcionários, como a Latecoere, de Jacareí (SP), que irá deixar de produzir a fuselagem dos E-Jets 190 e 195, que será produzida a partir de 2017 pela empresa americana Triumph. A Embraer foi uma das empresas nacionais privatizadas no governo de FHC.


Cotidiano
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