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A formação dos pilotos de caça na América Latina


L-15 Chineses supostamente adquiridos pela Venezuela
O ano passado uma postagem sobre o jato de treinamento Karakorum me fez questionar como seria a formação dos pilotos de caça pela America Latina. Na época fiz uma rápida pesquisa e postei uma matéria que precisava ser revista, pois muita coisa aconteceu de lá para cá tanto na aviação como na minha formação como Blogueiro. Sendo assim, aqui esta a matéria reeditada.


Basicamente, em todos o países os pilotos militares passam por um treinamento primário em aeronaves geralmente a pistão com o instrutor sentado ao lado. Posteriormente haveria uma fase intermediária geralmente administrada em um turbo hélice com o instrutor sentado em tandem, isto é, atrás. 

O que acontece posteriormente a isto seria um treinamento avançado para o piloto de caça e esta ai a principal diferença entre as nações latinas, de acordo com seu tamanho, equipamento, indústria e filosofia.

T-25: O formador básico brasileiro que posteriormente deve ser substituído pelo Tx da Novaer
No Brasil, por exemplo, os alunos da Academia de Força Aérea em Pirassununga passam pelo T-25 Universal que futuramente deve ser substituído pelo T-Xc da Novaer.


Maquete do T-Xc cujo primeiro voo aconteceu em Agosto de 2014
Seguem posteriormente para o turbo hélice T-27 Tucano cuja linha produção foi encerrada pela Embraer.

T-27 Tucano da AFA
Acredita-se, que futuramente poderá ser substituído por um treinador que será produzido pela União da Nações Sul-americanas, chamado atualmente de IA-73 UNASUR que terá versões a pistão e turbo hélice.

Maquete em tamanho real do treinador Unasur
No Brasil, o treinamento avançado não é feito em jatos, mas em turbo hélices e posteriormente os pilotos passam por uma conversão em modelos bipĺace dos caças que irão operar.

A-29 Esquadrão Joker - Foto: FAB 
Sendo assim, após a formatura na AFA, os alunos cujo desempenho o direcionou para a aviação de caça, passa para um curso de especialização realizado em Natal no esquadrão Joker com o A-29 Super Tucano. Alguns, posteriormente faram a conversão em aeronaves F-5F ou A-1B de acordo com a unidade para qual será designado, isto é, defesa aérea ou ataque.

T-34C do Equador
Já na pequena Força Aérea Equatoriana os alunos da Escuela Superior Militar de Aviación passam por Cessnas, depois pelo T-34C turbo prop e são encaminhados para o esquadrões de combate que há pouco tempo utilizavam antigos A-37 Dragon Fly mas que foram substituídos por A-29 Super Tucanos, a base da sua aviação de combate. A elite da Força conta com antigos caças Cheetah, uma versão Sul Africana de Mirage III revitalizado.

T-37 Colombianos
Já a Colômbia conta com um esquadrão que opera antigos jatos de treinamento T-37 revitalizados, recebidos entre 2007 e 2010 dos EUA, onde os mesmos foram substituídos pelo turbo hélice T-6 Texan II, de menor custo de operação.

T-27 Colombiano modernizado
Porem os Colombianos contam também com T-27 recentemente modernizados que são utilizados para treinamento e ataque. Posteriormente os pilotos são encaminhados para esquadrões de contra insurgência com A-29 Super Tucanos ou defesa aérea com caças Kfir.

Os outros países que possuem uma aeronave a jato para treinamento são a Argentina, Chile, Peru e Venezuela. Em alguns deles a aeronave eventualmente é utilizada também para ataque.



IA 63 Pampa
Na Argentina os pilotos passam pelo treinamento básico pelo B45, uma versão do T34A a pistão, depois pelo T-27 Tucano e então utilizam o IA-63 Pampa, um jato construído localmente pela FMA com ajuda de técnicos alemães da Dornier, razão pela qual o produto se parece tanto com o Dassault/Dornier Alpha Jet.

Tais jatos passam atualmente por uma modernização onde foram aumentadas sua capacidade de ataque ar-superfície. Atualmente adquiriram novo Grobs 120 para treinamento primário e devem liderar a produção do futuro treinador Unasur.

A36 Chilenos
No Chile, após saírem de um turbor hélice de produção local (T-35 Pilan), o treinamento avançado é feito com jatos espanhóis CASA C-101, chamados localmente de A-36, cuja performance é comparável ao seu equivalente argentino.



Havia estudos para a compra de aviões modernos para a sua substituição, cujos concorrentes seriam o T-50 Golden Eagle, o Alenia M346 ou BAE Hawk, no entanto, por razões orçamentárias esta aquisição esta parada, sinalizando uma possível compra de usados.

MB-339 Peruanos
Já a Força Aérea Peruana utiliza no Esquadrão Aéreo 411 o jato italiano Aermacchi MB-339 que na italia está sendo substituído pelo M-346. O Peru também possui Tucanos T-27 e começou em 2014 a montar localmente o KT-1, um turbo hélice semelhante ao super tucano.

KT-1 Peruano
Dos países latinos, a Venezuela merece um destaque na questão da formação dos pilotos de caça pelo investimento que esta sendo feito. Eles contam com formadores básicos como o Cessna Skylane e o Alenia SF-260U, tendo adquirido recentemente células do Diamond DA40. Como treinador intermediário possuem o T-27 Tucano mas contam com jatos chineses K8W Karakorum para treinamento avançado e ataque adquiridos nos últimos anos.

Futuro treinador venezuelano L-15
Como se isto não bastasse, recentemente a Venezuela informou a aquisição de jatos chineses de treinamento avançado L-15, uma aeronave equivalente ao M-346 ou Yak-130. Se confirmado, seria a primeira nação latina a utilizar um jato nesta categoria para treinamento de pilotos.

Trata-se de um projeto moderno cujo voo inicial na china foi em 2006, sendo uma aeronave supersônica, Fly-by-wire (FBW), com capacidades de ataque ao solo, enquadrando-se na categoria dos LIFTs. Sem comparação com os jatos mencionados anteriormente neste texto e que são utilizados pelas outras nações, pois são aeronaves cujo projeto e tecnologia tem no mínimo mais de 20 anos.

Merece destaque dizer que eles também possuem um grupamento aéreo especializado na utilização de simuladores.

Karakorum K8 Bolivianos
Assim como a Venezuela, a Bolívia também utiliza o K8 chinês, entretanto, nesta última ele é encarado não somente como um treinador mas como um dos principais vetores da força, juntamente com antigos T-33. Apesar de poucos recursos os Bolivianos ainda estão em melhor situação que o Uruguay, onde a principal aeronave de caça é o A-37 e o Paraguay que conta apenas com T-27 Tucanos como "caças".

Nota: Acredito que cabe dizer aqui que os Gripens adquiridos pelo Brasil serão versões monoplaces e que a industria nacional deverá desenvolver sua versão biplace para conversão de pilotos. Não sabemos ao certo quanto tempo isso levará. Recentemente, foi noticiado o aluguel de horas de Gripens da versão C/D que deverão ser utilizados inicialmente na implantação dos caças. Não seria o caso de adquirirmos um LIFT como a Venezuela?


Em tempo: A título de curiosidade, na FAB o T-27 Tucano substituiu antigos T-37 na década de 80 e o A-29 Super Tucano substituiu o jato de treinamento e ataque AT-26 Xavante aposentado oficialmente em 2011. Um única célula continuava em operação até 2013 em São Jose dos Campos.
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