Uma bola no céu - ATUALIZADO


Segundo o site Carta Capital, uma moradora da cidade de Santos, litoral sul de São Paulo, onde caiu o avião que trazia o candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, relata que a aeronave já pegava fogo no ar antes mesmo da queda.

A dona de casa Maria Amélia de Melo Cunha, de 62 anos, que mora em um prédio a uma quadra do local da tragédia, lembra que foi até a janela, por volta das 10 horas da manhã, porque ouviu um barulho muito alto. Ela diz que ao olhar para o céu viu parte da aeronave em chamas. “Eu vi da janela da minha sala o avião passando em cima do prédio pegando fogo”, conta.

Em seguida, Maria Amélia escutou uma forte explosão e correu para a área de serviço de seu apartamento, que tem vista justamente para o local onde caiu o avião. “Ouvi um barulho muito forte, o prédio balançou e todos corremos para a janela.  As janelas no primeiro andar do prédio estouraram [com a explosão]. Da minha área de serviço dava para ver tudo, porque é uma área de casa baixas e já se via muita fumaça”, afirma.

Um relato parecido foi dado ao site G1 pelo comerciante Sergio Campos que disse que a aeronave estava pegando fogo antes de atingir as casas. Segundo ele, foi possível ver o acidente da janela de casa. 

"Eu só vi aquela bola de fogo descendo. Eu pensava que era um asteroide. Estava lendo a bíblia, pensei que era o final dos tempos", comentou.

Foi o mau tempo?

Para o especialista em Ciências Aeronáuticas da PUC-RS, Prof. Hildebrando Hoffmann, o mau tempo "dificilmente" teria causado a queda do avião. Ele explicou a BBC que quando o avião está a ponto de aterrissar, encontra-se em uma posição de baixa potência, conhecida como 'idle'.

Se a aeronave precisa arremeter por qualquer motivo, entre eles condições meteorológicas adversas, como o mau tempo, é necessário ganhar potência novamente, empurrando os manetes, e posteriormente colocando o nariz para cima. Caso isso seja feito de maneira brusca, a aeronave pode perder sustentação e cair.

Dava para pousar?

Segundo o site Estadão, a visibilidade para pouso estava no limite da pista. Boletins da Aeronáutica mostram que piloto estava 30 metros acima do mínimo permitido para pouso no Guarujá quando arremeteu.

Segundo informações obtidas pelo Estado, o piloto do avião entrou em contato com a estação rádio da base aérea informando que ia fazer procedimento de pouso. Em seguida, o piloto se comunicou novamente com a base e avisou que não tinha encontrado visualmente a pista de pouso e arremeteu.

A manobra foi feita, segundo os boletins meteorológicos, com clima desfavorável. Além da névoa úmida, que provocou o teto baixo para pouso, ventava na região. Segundo Humberto Branco, vice-presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (Appa), o tempo não estava bom, mas ainda era considerado praticável para a execução do procedimento. Após a arremetida, não houve mais comunicação e ocorreu o choque.

Cansaço do Piloto?

Segundo o site O Tempo, o piloto do avião Marcos Martins, de 43 anos, que acompanhava o candidato desde maio em suas viagens, disse em seu perfil do Facebook no dia 8 de Agosto estar "cansadaço".


Choque com outra aeronave?

Desmentindo sua própria matéria, o Band Notícias divulgou que, segundo a Força Aérea Brasileira, não há indícios de que a aeronave tenha colidido com um helicóptero, hipótese que chegou a ser cogitada por um amigo da família do político.

Colisão com um Drone?

Por conta de um informe da aeronáutica alertando para a presença de drones em uma área "próxima" a Base Aérea de Santos em um dado período, surgiram boatos de que a aeronave teria colidido com um veículo aéreo não tripulado ou Drone. Posteriormente a Aeronáutica descartou tal possibilidade.

Aguardar as investigações

É o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) que vai apurar as causas da queda do avião. Os investigadores do Cenipa vão trazer a caixa preta de Santos para o laboratório de análise de dados de gravadores de voos, em Brasília, divulgou o site do Jornal Nacional.

Segundo a FAB, o modelo Cessna que caiu nesta quarta-feira (13) tem apenas gravador de voz. As partes de destroços de equipamentos que foram recolhidas pelos investigadores vão ser encaminhadas para São José dos Campos para o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial.

Não existe um prazo determinado para o fim da investigação das causas do acidente. O Cenipa não aponta um único motivo. Analisa todos os fatores que contribuíram para o acidente a fim de evitar que outros se repitam.

Em tempo: Resta saber se o relatório sobre este acidente também levará um ano como muitos que estão sendo aguardados. Veja matéria anterior sobre relatórios do CENIPA