Telejornal sugere erro de operação. Culpa do Piloto?

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Uma matéria de ontem no Jornal da Globo (veja vídeo) tentou "explicar" de uma forma mais simples os acontecimentos que levaram ao acidente de Eduardo Campos. A matéria traçou um comparativo entre a pista do Guarujá e o Aeroporto de Joinville, levando em consideração suas diferenças. 

O que me chamou a atenção foi um trecho onde o apresentador diz que alguns pilotos de Citation, estão preocupados em divulgar na internet um texto do manual de operação da aeronave que enfatiza algo como "Não suba o Flap do avião se ele estiver passando dos 200 nós...".

Segundo a matéria, a aeronave teria um mecanismo de compensação que, ao invés de levantar o nariz do aparelho para subir, faria o contrário, levando a aeronave para baixo. O apresentador diz ainda que esta é uma das linhas de investigação que será analisada.

Realmente está é uma hipótese a ser considerada. Mas o que levaria o avião a estar acima de 200 nós? O que explicaria o fogo que algumas testemunhas afirmam ter visto antes da queda?

Como professor de tecnologia, aprendi que não existe aluno burro e sim, sistemas que não são amigáveis. Não me parece certo sugerir um erro de operação já que as analises dos peritos estão apenas começando. Lembrando que uma nova lei sancionada em Maio deste ano, obriga que as investigações corram em sigilo exatamente para evitar interferências já que elas buscam as causas e não as culpas.

O que sabemos é que a aeronave mergulhou em uma região residencial e que, apesar da quantidade de imóveis, o piloto conseguiu "enfiar" o avião no único "buraco" vazio do caminho evitando uma tragédia maior, conforme destacou o site EM,

Isto a Rede Globo não mostrou.

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Em tempo: De acordo com o site da Veja, que cita uma matéria da Folha de São Paulo, há fortes indícios, segundo os especialistas ouvidos pelo jornal, que apontam no sentido de que o jato não desacelerou antes da queda:

1) A imensa cratera aberta após a queda da aeronave, com quatro metros de profundidade.
2) A grande fragmentação dos destroços da fuselagem do avião, concentrados em um pequeno raio. 
3) O tipo de dano que sofreram as duas turbinas, encontradas com as pás retorcidas e terra.

Especialistas apontam que, em caso de queda de avião, uma das características mais comuns quando os pilotos tentam realizar um pouso forçado é o rastro de destruição deixado pelo impacto.

Nota:

O áudio abaixo disponível no Youtube foi disponibilizado pelo site Arquivos Aeronáuticos e mostra o relato de um piloto sobre sua experiência com o Citation. Trata-se daquela questão sobre os Flaps mencionada pelo Willian Waack

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