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Os Flaps estavam recolhidos


A Aeronáutica informou nesta terça-feira (19) ter constatado que o jato particular em que viajava na última quarta-feira (13) o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que caiu em um bairro residencial de Santos (SP), estava com o trem de pouso e os flaps recolhidos. O trem de pouso é composto por equipamentos e pneus para permitir a aterrisagem de aeronaves e os flaps são instrumentos na asa que reduzem a velocidade de aviões.

Reportagem publicada nesta terça-feira no jornal "Folha de S.Paulo" revela que a Cessna, fabricante do jato Citation 560 XL, o mesmo modelo em que Campos viajava, alertou para o risco de a aeronave mergulhar abruptamente durante procedimento feito em subidas e arremetidas. O procedimento apontado pela fabricante é o recolhimento dos flaps.

O acidente aéreo no litoral paulista resultou na morte de Campos, dois pilotos e quatro assessores do presidenciável do PSB. A Força Aérea Brasileira (FAB) e a Polícia Federal investigam as causas da queda do jato particular.

O trem de pouso é o conjunto de equipamentos que permitem à aeronave pousar. Entre os itens, estão os pneus e as estruturas que os sustentam, além dos comandos. Os flaps são estruturas nas asas que, quando acionadas, aumentam a área de contato da asa com o ar fazendo com que, assim, a velocidade da aeronave diminua.

De acordo com a FAB, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável pela apuração do acidente, precisa saber em que momento o procedimento de recolher os flaps e o trem de pouso ocorreu e qual era a velocidade da aeronave, pois, segundo o manual do jato, é informado que o recolhimento dos flaps só pode ocorrer em velocidade inferior a 370 km/h.

A Força Aérea destacou ainda que analisar itens mecânicos faz parte das investigações e é considerado procedimento de rotina. Segundo a Aeronáutica, que investiga se há relação entre o recolhimento dos flaps e do trem de pouso às causas do acidente, nenhuma hipóteses pode ser descartada até o momento.

A FAB também analisará itens relacionados ao “fator humano” do acidente. Entre as medidas que serão tomadas durante a investigação, está apurar se os pilotos estavam voando por mais horas seguidas do que a lei permite e ouvir os familiares deles para averiguar se Marcos Martins e Geraldo Magela Barbosa, os dois pilotos do jato, passavam por problemas pessoais.

Motivo da advertência

A mesma reportagem da "Folha de S.Paulo" que relatou a advertência do fabricante do jato destacou que o alerta para o Citation foi incluído no manual da aeronave como um procedimento obrigatório em 2004. A alteração ocorreu devido à investigação de um incidente que ocorreu na Suíça dois anos antes.
No episódio que gerou a mudança no procedimento, relatou o jornal, o avião estava acima de 2.740 metros ao dar um mergulho, tendo se estabilizado em 914 metros.

Caixa-preta

Em nota divulgada na última semana, a FAB informou que o Cenipa constatou, após analisar as duas horas de áudio da caixa-preta do jato que conduzia Campos, que a gravação no equipamento não era do voo no dia do acidente.

Após a divulgação da nota pela FAB, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também se pronunciou sobre o caso e informou que a aeronave só poderia ter decolado se o gravador de voz (CVR, na sigla em inglês) estivesse ligado.

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