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Cadê a crise? Só no seu bolso...

Bombardier Global 6000
São Paulo - Para um número cada vez maior de brasileiros ricos, as regalias das primeiras classes dos aviões comerciais já não são suficientes. Eles simplesmente preferem voar em jatos particulares.

Um aumento do número de pessoas com alto poder de compra na maior economia da América Latina está mantendo forte a demanda no Brasil para a NetJets, uma unidade da Berkshire Hathaway, braço de investimentos de Warren Buffett, mesmo após as vendas recordes no ano passado.

A NetJets foi pioneira na oferta de propriedade compartilhada de jatos privados, 50 anos atrás.

Entre os seus clientes estão executivos corporativos e pessoas ricas que pagam por uma fatia em aviões Global 5000 e 6000, da Bombardier, com capacidade de voar 6.000 milhas náuticas (11.112 km), o equivalente à distância entre SP e Estocolmo.

“2013 foi nosso melhor ano no País e não há sinais de que isso está diminuindo”, disse Patrick Gallagher, chefe da área de vendas da NetJets, em entrevista por telefone, em 19 de agosto.

O executivo disse que ainda é prematuro afirmar se ese desempenho é em decorrência dos esforços no foco das vendas no país ou se é uma função apenas da melhora do mercado ou de mudança na dinâmica da economia.

O número de brasileiros super ricos cresceu para 172.000 em 2013, um total 17 por cento superior aos dados de 2009, segundo o World Wealth Report, o relatório da riqueza global elaborado pela Capgemini Financial Services e pela RBC Wealth Management.

Dos 300 membros do índice de bilionários da Bloomberg, 15 são brasileiros, com uma receita combinada de US$ 132 bilhões, um aumento de US$ 17,7 bilhões ante o ano anterior.

As maiores empresas do Brasil têm visto a receita e o lucro crescerem ao longo dos últimos quatro anos mesmo com a desaceleração da economia.

Ao mesmo tempo, as companhias aéreas comerciais estão cortando assentos de primeira classe em favor da classe executiva.

Leasing

Sustentadas pelos lucros crescentes, as corporações e as pessoas ricas estão procurando a NetJets tanto em busca de propriedade compartilhada de jatos de cabine grande quanto por leasing para viagens dentro dos EUA.


A NetJets oferece incentivos financeiros para clientes que compram participações em jatos Global 5000 e 6000. Os jatos têm regalias como uma sala de estar privada, banheiro e isolamento acústico extra.


Outra opção é o leasing dos aviões por meio do programa NetJets Marquis Jet Card, que permite que os clientes comprem 25 ou 50 horas de voo no avião de sua escolha.

“Existe provavelmente uma maior oportunidade para leasing simplesmente por causa do número elevado de pessoas que podem pagar por isso em comparação com a compra de uma fatia maior de um avião de cabine grande”, disse Gallagher.

Os brasileiros que têm residências em Miami e Nova York voam para os EUA em companhias aéreas comerciais e depois usam o cartão Marquis para voos domésticos, disse ele.

Cabine de passageiros em um jato Embraer Phenom 300, da NetJets
Impulso olímpico

A empresa com sede em Columbus, Ohio, EUA, atualmente não opera no Brasil, embora tenha começado a prestar mais atenção no país depois que o interesse pelo serviço começou a crescer em 2012.

Dada a demanda que tem visto, a NetJets pode reconsiderar suas operações no Brasil, disse Gallagher. A empresa está estudando colocar uma equipe permanente em São Paulo.

O Brasil viveu um acidente de grande destaque com um avião executivo na semana passada. O candidato presidencial Eduardo Campos morreu na queda de um Cessna 560XL de nove assentos após a aeronave abortar a aterrissagem por causa do mau tempo.

Os dois pilotos e quatro membros da campanha de Campos que estavam a bordo também faleceram.

Gallagher preferiu não dar os números de receita da NetJets no Brasil, onde o tráfego de entrada da empresa aumentou durante a Copa do Mundo.

Muito desse tráfego veio de clientes atuais que não haviam usado antes seus serviços para voar para a América do Sul, disse Gallagher.

A empresa prevê que o sucesso do torneio de futebol continuará a gerar tráfego dos EUA para o Brasil, inclusive para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. “Há um montante incrível de demanda lá”, disse ele.


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