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Há três anos...


Há três anos, o Recife amanhecia com a notícia da queda do avião bimotor LET-410, da Noar Linhas Aéreas, na Avenida Boa Viagem. Dezesseis pessoas mortas. Famílias destroçadas. O tempo passou, mas as feridas seguem abertas já que parte dos questionamentos ainda não tiveram respostas.  

O inquérito que investigou a responsabilidade pela tragédia foi concluído há um mês pela Polícia Federal, mas corre em segredo de justiça. Neste domingo, às 8h, acontece missa em homenagem às vítimas na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem.

O engenheiro Marcos Ely Soares foi um dos mortos. O irmão, Geyson Soares, presidente da associação criada pelos parentes das vítimas, explicou que o delegado federal Antônio de Pádua comunicou ao grupo que a investigação chegou ao fim e foi encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF).

“Ele só disse que o resultado apontou culpados, mas não tivemos acesso para saber de quem se tratam”, disse. A associação decidiu contratar advogado para solicitar à Justiça Federal vistas ao inquérito.

Por meio da assessoria de imprensa, o delegado confirmou a conclusão do caso, mas não se pronunciou alegando sigilo judicial. A mesma resposta foi dada pelo MPF. Sabe-se apenas que, após análise, o órgão poderá pedir novas diligências à polícia ou denunciar os acusados à Justiça Federal, para que será dado início a fase de audiências e julgamento. 


Mãe do dentista Raul Farias, Taciana Guerra continua na expectativa pelo fim do mistério. “Estamos lutando para acompanhar o processo. Vamos pedir apoio do MPF”, afirmou. 

Em 2013, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a sucessão de falhas mecânicas e humanas foi responsável pelo acidente. Uma peça conhecida como hatela, que mede 8 cm, ligada ao motor esquerdo se soltou 12 segundos após a decolagem e deu início ao processo de combustão. 

Manutenções inadequadas, falta de treinamento específico de emergência e ausência de fiscalização rigorosa da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também contribuiram. A investigação do Cenipa resultou em relatório de recomendações enviado à Noar e a órgãos de aviação, como a Anac.

Segundo a Noar Linhas Aéreas, 15 famílias firmaram acordo na Justiça para pagamentos de indenizações, cujos valores são sigilosos e variáveis, a partir de características como a renda salarial de cada vítima. 


Nova empresa

Impedida de voar desde a queda da aeronave, a Noar Linhas Aéreas permanece sem nenhuma atividade. Um ano após o acidente, em julho de 2012, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cassou o registro de funcionamento da empresa. Em dezembro do mesmo ano, os proprietários decidiram criar a Aviação Executiva e Compartilhada (Avec). 

No site oficial, a empresa é apresentada como sociedade de “grupos econômicos sólidos e tradicionais, que fundaram a então Noar Service”. E diz que a expectativa é “consolidar-se como a melhor alternativa de hangaragem para seus clientes e para proprietários, companhias de taxis aéreos e de gestão de aeronaves”. 

Ao Diario, a assessoria da Avec argumentou que a empresa não é alteração de nome da Noar Linhas Aéreas. “É outra pessoa jurídica, com outro CNPJ, oriunda da Turim táxi Aéreo, que foi adquirida em 31 de setembro de 2009”. 

A assessoria pontuou que a empresa não exerce operação aérea, não possui aeronave e dedica-se apenas à prestação de serviços de estacionamento e garagem para aeronaves executivas. Sobre a Noar Linhas Aéreas, a assessoria informou que a outra aeronave foi vendida.

A Noar começou a operar em 14 de junho de 2010. Foram investidos R$ 40 milhões. Até o acidente, uma média de 278 voos eram realizados mensalmente, com destinos para Aracaju, Caruaru, João Pessoa, Maceió, Mossoró e Natal.

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