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Entenda a questão dos aeroportos no RN

Terminal do novo Aeroporto Internacional
Mesmo quem acompanha as notícias sobre aviação, esta um pouco perdido com relação ao que aconteceu com os aeroportos no RN. Ao mesmo tempo que matérias dos grandes jornais festejam a inauguração no novo Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves em São Gonçalo do Amarante, a mídia local mostra as incertezas do que vai acontecer com funcionários e prestadores de serviço do antigo Aeroporto Augusto Severo que foi desativado hoje.

Segundo a Infraero, o até então Aeroporto Internacional Augusto Severo fica no município de Parnamirim (RN), distante 18 quilômetros da cidade de Natal. Ele recebia em média 72 voos por dia e em 2013 movimentou 2,4 milhões de passageiros.


Em 2012, recebeu obras de requalificação e modernização de seu terminal, com investimentos de R$ 16,4 milhões. Com as novas instalações, passou a ter capacidade para atender 5,8 milhões de passageiros/ano. Guarde bem esse número: 5,8 milhões/ano. Portanto, com a reforma, a capacidade mais que dobrou. Porém, se tem toda essa capacidade, porque esta sendo desativado?

A resposta esta em 22 de Agosto de 2011, data em que o Consórcio Inframérica ganhou a concessão de explorar por 28 anos o novo Aeroporto que seria construído em São Gonçalo do Amarante . Formada pela união de empresas nacionais do Grupo Engevix com a  administradora de aeroportos argentinos Corporación América SA, a empresa arrematou também a concessão do Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek no DF por 25 anos.

Inaugurado hoje, o agora, Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, teve um investimento de R$ 500 milhões e será o primeiro aeroporto brasileiro administrado exclusivamente pela iniciativa privada. Seu novo terminal tem 40 mil metros quadrados de área construída e capacidade para atender 6,2 milhões de passageiros por ano segundo o site G1.

Fazendo uma pequena conta, vemos que o novo aeroporto apresenta uma capacidade maior em relação ao antigo de menos de 10% no número de passageiro/ano. Se pensarmos que a demanda no setor aéreo esta crescendo rapidamente esse pequeno aumento na capacidade poderá se tornar insuficioente com os anos. Ainda mais agora com investimentos governamentais para se estimular aviação regional. Não seria o caso, por tanto, de manter o dois aeroportos?

A resposta esta na internet. Em Outubro de 2012 o site do pequeno Jornal de Parnamirim trazia uma matéria onde dizia que uma das cláusulas do contrato com o Consórcio Inframérica exigia que o Aeroporto Augusto Severo fosse desativado para evitar uma "competição" entre os dois aeroportos, causando "prejuízo" para as empresas que arremataram a concessão. A própria Governadora Rosalba Ciarlini do Democratas defendia na época a manutenção do Augusto Severo, mas isso dependia de uma negociação com o Consórcio pois decisões unilaterais ocasionariam a cobrança de multas.

Portanto, já em 2012 as parte envolvidas sabiam que o Augusto Severo seria desativado. Então porque a Infraero gastou dinheiro com a reforma? Independente da resposta, se realmente havia esta cláusula, ela não seria abusiva?

Talvez seja uma politica empresarial agressiva como esta que tem garantido o crescimento do Grupo Engevix, que, de acordo com o Estadão, era um empresa que "renasceu" há menos de 17 anos, quando três dos seus executivos adquiriram do antigo patrão, praticamente apenas o quadro de funcionários e o corpo técnico, por cerca de 30 milhões de reais, parcelados em 100 pagamentos.

De lá para cá, eles transformaram uma prestadora de serviços de engenharia em uma holding que faturou R$ 2,2 bilhões em 2011 bilhões. Foi na condição de fornecedora para o governo que a companhia aprendeu a trabalhar em setores onde depois se tornou investidora. Recebeu projetos de peso, como participação na hidrelétrica de Belo Monte, administração de rodovias e concessão de aeroportos.

Uma frase interessante de Cristiano Kok, um dos fundadores: "Não somos ambiciosos. Somos oportunistas".

Em tempo: O antigo aeroporto continuará operando voos internacionais até o setor de alfândega no novo aeroporto estar completamente operacional (G1).
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