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Airbus: brigando com a crise, com a política e com a concorrência


Uma rápida olhada pela Internet e vemos como o Grupo Airbus dá assunto para a mídia. No caso da Reuters, três artigos sobre a empresa nos chamaram a atenção. Neles vemos como políticas externas e de exportação afetam a industria de armamentos e defesa. 

Na bastasse a crise econômica e política, a gigante ainda tem que enfrentar novas concorrentes que surgem no seu nicho oferecendo produtos mais atrativos.

As restrições alemãs e a ameaça de demissões

A Alemanha enfrenta cortes de empregos além dos planejados no setor de defesa e pode ver o fechamento de fábricas ou a mudança de unidades para outros países se o governo insistir em endurecer as restrições às exportações de armas, disse o chefe do Grupo Airbus à Reuters.

A divisão de defesa e espaço da empresa já planeja cortar cerca de 2 mil empregos na Alemanha. "Estou preocupado com a política cada vez mais restritiva de exportação de armas da Alemanha. Isso pode provocar demissões adicionais no país, para além dos nossos planos de redução atuais", afirmou o presidente-executivo, Tom Enders, à Reuters. "Poderemos ter até mesmo que considerar fechar fábricas inteiras, linhas de produtos ou sua mudança para fora da Alemanha." 

Os comentários, feitos em entrevista exclusiva durante o evento Berlim Airshow, aumentam as apostas em uma batalha crescente com o governo alemão sobre o futuro da indústria de defesa. Nesta semana, o ministro da Economia, Sigmar Gabriel, prometeu uma abordagem muito mais cautelosa para o licenciamento de exportação de armas, sinalizando uma mudança em relação à política do governo de coalizão anterior, quando as vendas aumentaram. Enders disse que ainda é muito cedo para dizer quantos cortes de empregos adicionais podem estar envolvidos já que o governo de Berlim está no poder há menos de seis meses.

A exportação de armas tem sido uma questão delicada na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas está sob escrutínio ainda maior nos últimos anos por causa do aumento dos volumes e porque um grande número de armas está indo para países que não são parceiros na União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e para regiões potencialmente instáveis.

A crise da Crimeia e a ameaças de multas

A VSMPO-Avisma, a maior produtora de titânio do mundo, alertou a Airbus nesta sexta-feira de que ela será forçada a pagar multas caso rescinda um contrato de 4 bilhões de dólares com sua fornecedora russa.

A VSMPO é controlada pelo conglomerado estatal russo de defesa Rostec, cujo presidente-executivo, Sergei Chemezov, foi alvo de sanções do Ocidente no final de abril pelo papel da Rússia na crise na Ucrânia.

"Os contratos permanecem válidos e não podem ser cancelados sem motivo. Do contrário, multas são aplicadas", disse o presidente-executivo e co-proprietário da VSMPO, Mikhail Voevodin, em uma entrevista à Reuters.

"Foi assinado um contrato até 2020 conosco. E é difícil presumir que a maior fabricante europeia de aviões negligenciaria os termos da parceria existente". Ele não quis comentar sobre o tamanho das possíveis multas.

O vice-presidente operacional da Airbus, Guenther Butschek, disse neste mês que não existem impactos no curto prazo decorrentes da crise na Ucrânia, mas que a empresa está buscando assegurar estoques de titânio, que é usado em seu jato A350.

O Ocidente tem ameaçado endurecer as sanções caso a Rússia intensifique dramaticamente a agressão contra a Ucrânia ao reconhecer os referendos separatistas que foram realizados no leste ucraniano no começo deste mês.

O chefe que mandar tudo para espaço

O chefe do Airbus Group instou países da Europa a realizar uma fundamental reforma na indústria de lançamento de foguetes espaciais e a dar um papel maior para as companhias para evitar que se tornem "irrelevantes" no clube mundial de 6,5 bilhões de dólares de lançamento de foguetes.

Seu chamado por uma voz maior da indústria nas parcerias públicas e privadas por trás do foguete espacial europeu Ariane é uma resposta à chegada da companhia norte-americana de baixo custo Space Exploration Technologies (SpaceX), comandada pelo magnata de carros elétricos Elon Musk.

"Acredito que estamos em um momento decisivo para o futuro da Europa no espaço e para a indústria europeia de lançamentos", disse à Reuters o presidente-executivo do Airbus Group, Tom Enders.

A SpaceX de Musk oferece lançadores leves de foguetes para transportar satélites de comunicação a preços menores que os de mercado, e está levando outros na indústria a ver o que podem fazer para reduzir custos.

A Europa quer substituir o lançador de foguete Ariane 5 por um Ariane 6 até 2021, mas está enfrentando dificuldades com estruturas rígidas por trás do design, da fabricação e da comercialização de lançadores espaciais. "Ou melhoramos e integramos muito nossas estruturas industriais ou nos tornaremos irrelevantes", disse Enders.

Reuters
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