KAI FA-50


Quando a decisão pelo Gripen parecia um sonho distante, eu olhava para o coreano KAI FA50 e não entendia porque as pessoas não pensavam nele como um substituto natural para os nossos "Mikes". Afinal, ele foi concebido para substituir os F-5 na Coreia.

Fruto da parceria entre Korea Aerospace Industry com a Lockheed, o FA50 é um derivado do projeto original KAI T-50 que foi pensado como um treinador. Provavelmente, as empresas já estavam de olho no futuro programa milionário de substituição dos T-38 americanos.

Porém, o curioso é que, ao pensarmos nos treinadores atuais em produção no mercado, ele é o único supersônico. Porque Será? Quando pensamos em um treinador, queremos algo econômico. Certo? No entanto ele possui a mesma motorização GE404 do finado Northrop F-20 Tigershark e do SAAB Gripen C/D, ambos caças projetados para Mach 2. Não parece incoerente?

Minha hipótese é que o desenvolvimento de um treinador foi uma fachada. Uma "desculpa" para que o governo americano não criasse impedimentos na transferência de tecnologia pela Lockheed. Talvez, desde o começo a ideia fosse criar um caça leve. Razão pela qual não se colocou um motor mais econômico. Porem, isso é "achismo". Vamos nos prender aos fatos.

O fato é que, apesar de uma motorização boa, ele tem uma performance inferior ao Gripen C/D. Não porque seja mais pesado, pois seu peso vazio é inferior ao do caça sueco. Provavelmente questões aerodinâmicas e o pós combustor justifiquem isso. Porem, isso também me intriga.

Acompanhe o raciocínio: O KAI T-50 foi projetado nos anos 90 quando já se tinha notícias tanto da performance do F-20 como do Gripen projetados na década anterior. Se você fosse projetar um caça e sabe com base no desempenho de outros que seu motor tem potencial para Mach 2, porque você não busca o mesmo desempenho? Afinal, o teu parceiro é a Lockheed! O que te impede de melhorar a velocidade do seu produto? Será que para o seu parceiro não era interessante ter um produto que concorresse com o F-16? Hummmmm... Isso não me cheira bem! Mas estou novamente viajando em hipóteses. Voltemos aos fatos.

O fato é que hoje a vida do produtos da familia KAI T-50/FA-50 não esta fácil. Como treinador, ele concorre com o italiano M-346 e o seu primo russo Yak-130, ambos subsônicos custando um pouco menos que o coreano. 

No mercado de caças, seu preço é maior que produtos de segunda mão disponíveis no mercado, como os F-16 que estão sobrando na Europa e os KFIRS oferecidos por Israel. Se um dia o paquistanês JF-17 e o indiano HAL Tejas estiverem prontos para exportação, sua vida ficará mais difícil ainda, já que ambos possuem performance comparáveis.

Resumindo? Bom demais para ser apenas um treinador, mas não tão bom para ser um caça de primeira linha. Infelizmente, esta é a realidade deste aviãozinho. Uma pena.