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Bimotor do Pará: últimos acontecimentos

Aviões do Esquadrão Pelicano ajudam na busca (foto ilustrativa)
SIGILO TELEFÔNICO

Equipes de busca da Força Aérea Brasileira (FAB), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil do Pará, mateiros da região e índios enfretam muitas dificuldades para encontrar o avião bimotor que desapareceu na quarta-feira entre os municípios de Itaituba e Jacareacanga, com cinco pessoas a bordo. 

O avião levava servidores de saúde que iriam prestar atendimento médico nas aldeias dos índios mundurucus. A dificuldade se dá pela extensa área de florestas a ser coberta entrecortada por rios, sem acesso por estradas. 

A informação dada por um garimpeiro que trabalha em uma área da margem direita do Rio Tapajós, 1.850 km a oeste de Belém, pode ser a pista para localizar a aeronave. Além das buscas por barcos, a pé, pela mata, e de avião e helicóptero, as equipes agora ganharam um reforço: o juiz da comarca de Jacareacanga, Claytoney Passos Ferreira, aceitou um pedido da polícia para quebrar o sigilo das últimas mensagens telefônicas feitas pelos ocupantes da aeronave, na tentativa de encontrar sua localização.

As mensagens, segundo o delegado Lucivelton Santos, estão sendo analisadas pelo Núcleo de Inteligência da Polícia Civil. “Quem sabe a gente não descobre uma pista”, disse Santos. As últimas ligações foram da técnica em enfermagem Rayline Campos, que estava no bimotor. Na primeira mensagem, ela avisava o tio, que mora em Belém, sobre o perigo. “Tio, tô em temporal e um motor parou, avisa a mãe que amo muito a todos. Tô aflita, tô em pânico. Se eu sair bem, aviso, aviso. Tô perto de Jacareacanga. Reza por nós, não avisa a tia ainda”. Na segunda mensagem, 30 minutos depois, Raylane pede socorro: “ o motor ta parando. Socorro tio, tio (sic)”.

Na quinta-feira,  Força Aérea Brasileira teve de interromper no começo da tarde a operação, iniciada de manhã, por causa do mau tempo, que comprometeu a visibilidade. Até a tarde de ontem, 80% da área determinada para a busca já estava percorrida. As equipes iriam cobrir 1.165 quilômetros quadrados, mas essa área já foi estendida. 

O capitão da FAB, Alcides Machado, que comanda as buscas pelo bimotor, disse ao portal G-1 que a aeronave pilotada por ele percorreu cerca de 750 quilômetros quadrados durante as buscas e explicou por que é tão difícil localizar uma aeronave em área de mata fechada.   “Muitas vezes a gente pensa que um avião que caiu na mata vai abrir uma grande clareira, algo de fácil visualização, mas na verdade não é assim, a mata, em termos gerais, realmente ‘engole’ a aeronave e caso ela tenha colidido com solo e não pegou fogo, fica mais difícil ainda a localização”. 



PILOTO EXPERIENTE

"Meu pai sabe cair", disse o estudante de ciências aeronáuticas Luiz Francisco Feltrin Júnior, 18 anos, filho do piloto de 54 anos, nascido em Guararapes, que conduzia o bimotor desaparecido desde a última terça-feira (18), no Pará. Com mais de 30 anos de experiência e cerca de 15 mil horas de voo, Feltrin já sobreviveu a outros dois acidentes envolvendo aeronaves.

Apesar do mau tempo e da presença de neblina na área de busca, a Aeronáutica seguia na quinta-feira (20) procurando o avião que foi contratado para transportar quatro funcionários do Ministério da Saúde. Familiares, funcionários e colegas de profissão que vivem na região de Araçatuba acreditam na possibilidade de Feltrin estar vivo. 
Há três décadas o piloto deixou a região rumo ao norte. Atualmente, ele reside com a atual esposa, na cidade de Itaituba (PA). É no município que está instalada a sede de sua empresa, a Jotan Táxi Aéreo. 

Além de Feltrin Júnior, o empresário tem uma filha de 25 anos, que trabalha com ele, e um menino de 3. A mãe do piloto e seus seis irmãos vivem em Birigui, onde Feltrin tirou a licença para voar. Além de Júnior, a reportagem conversou com a araçatubense que é mãe de dois de seus três filhos. "Estamos abalados e aflitos pela falta de informações. A única coisa que sabemos é que estão sendo feitas buscas. Pedimos que as pessoas nos ajudem com orações e que a imprensa pressione pela continuidade dos trabalhos até o resgate dos desaparecidos", declarou a mulher, que pediu para ter seu nome preservado.

AMIZADE

Amigo de Feltrin há 15 anos, o gestor de segurança de voo do aeroclube de Birigui, Bruno Luiz Cordeiro, 35, o considera um dos melhores pilotos em atuação na região norte. Cordeiro conta que, no final do ano passado, o amigo esteve no aeroclube. "Esporadicamente, ele costumava trazer aeronaves para manutenção com a gente", conta. 

"Na ocasião, ele aproveitou para saber como o filho dele estava indo nas aulas de aviação por aqui", comenta. Na época, Júnior fazia suas primeiras horas de voo. Em fevereiro, o jovem se mudou para o Rio Grande do Sul, onde faz graduação em ciências aeronáuticas. No entanto, anteontem o jovem chegou em Araçatuba para ficar próximo da família.

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