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PCC faz plano audacioso para resgatar Marcola


Um avião Cessna 510, um helicóptero Bell e um Esquilo blindado, com a cores da Polícia Militar e armado com uma metralhadora calibre .30. Esses são alguns dos equipamentos que o Primeiro Comando da Capital (PCC) está reunindo para o mais audacioso plano de fuga já montado pela facção: o resgate de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros três líderes da organização criminosa

As informações estão em um relatório sigiloso preparado pela inteligência das Polícias Civil e Militar e pelo Ministério Público Estadual (MPE), em mãos da Justiça de São Paulo. Para que o o plano dê certo, três integrantes da facção tiveram aulas de voo em 2013 no Aeroporto do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. O professor dos criminosos foi, segundo o relatório, Alexandre José de Oliveira Junior, copiloto do helicóptero do deputado federal Gustavo Perrella (SDD-MG).

Oliveira Junior foi preso em 25 de novembro de 2013 no Espírito Santos pela Polícia Federal, quando descarregava 450 quilos de cocaína de um helicóptero - a aeronave pertencia ao deputado federal Gustavo Perrella (SDD-MG).

O plano começou a ser montado pela facção criminosa em janeiro do ano passado, em uma base montada na cidade de Porto Rico, no Paraná.


PCC INVESTIU R$ 500 MIL EM ESQUEMA DE FUGA

A inteligência das Polícias Civil e Militar e do Ministério Público Estadual (MPE) estima que os criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC) gastaram R$ 500 mil em aulas de pilotagem de helicópteros e no aluguel de aeronaves para planejar o resgate de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros três líderes da facção criminosa.

Ao todo, R$ 300 mil foram investidos em horas de voo em cursos para piloto de helicóptero. A facção queria treinar três integrantes, pois, além do resgate, as aeronaves também poderiam ser usadas no transporte de armas, drogas e de dinheiro...

Época

Em SP, alugar e pilotar helicóptero é fácil

Não é difícil ter acesso a um helicóptero no Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. No ano passado, o local foi usado para o aluguel de aeronaves e aulas de pilotagem por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvidos em um plano – descoberto pela polícia – de resgatar chefes da facção no interior.

Voos panorâmicos de 30 minutos ou de uma hora, por exemplo, não exigem que os interessados passem por revista ou por detectores de metais. O Estado esteve ontem nos hangares de duas empresas e constatou que os voos geralmente são feitos em helicópteros do modelo Robinson 44, onde cabem três passageiros e o piloto.

A viagem de meia hora custa R$ 990. Por 60 minutos, o passeio sai pelo dobro. Para voar, é preciso preencher um cadastro com informações pessoais de todos os tripulantes. No dia do voo – que só é feito com um pedido de, no mínimo, 24 horas de antecedência –, basta apresentar o RG de cada um.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que o nome da LRC Táxi Aéreo, onde os criminosos alugaram dois helicópteros, aparece em "duas empresas inoperantes". As duas portarias para a operação venceram em 2004 e 2011, segundo a agência. Representantes da LRC não foram encontrados ontem no hangar da empresa. Ainda de acordo com a Anac, o helicóptero de prefixo PT YJF, que, segundo a polícia, teria sido um dos usados pela facção, "é privado e não pertence à empresa LRC".

Aulas

Um dos suspeitos de participar do esquema chegou a ter aulas de pilotagem na Escola de Aviação JR Helicópteros, que, segundo funcionários de outras empresas, fechou as portas no ano passado. A Anac informou que revogou a autorização da escola em julho de 2013. A reportagem não conseguiu contatar seus representantes.

Em outras escolas do Campo de Marte, o preço da aula varia de R$ 720 a R$ 850. Os cursos costumam ser ministrados em modelos Robinson 22, para duas pessoas. Para o curso de piloto comercial, é preciso fazer uma prova na Anac. A reportagem conseguiu passar por duas portarias sem se identificar, chegando perto da pista onde ficam as aeronaves.

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) informou que a responsabilidade sobre o acesso dos passageiros aos helicópteros é das empresas prestadoras de serviços, que são concessionárias. Por sua vez, a Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe) afirmou que não se manifestaria sobre o caso.

Estadão
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