O Tupã e o Polo Aeroespacial Mineiro


O esforço do governo mineiro para dotar o estado de um complexo aeroespacial, inspirado na experiência do polo de São José dos Campos (SP), começa a dar resultados, com o ingresso no projeto da francesa Price Induction, especializada na concepção e fabricação de turbinas a gás para turbogeradores e aviação. Um acordo de cooperação técnica, que permitirá a participação da Price Induction na iniciativa, está sendo negociado pelo presidente da empresa no Brasil, Stéphane Brand, e o coordenador do programa conduzido pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Marco Antônio Sala Minucci.

As possibilidades postas à mesa envolvem desde o interesse da Price em transferir tecnologia ao Centro Nacional de Desenvolvimento de Turbinas a Gás, projetado para o Parque Tecnológico de Uberaba, no Triângulo Mineiro, passando pela instalação de uma fábrica em sociedade com investidores brasileiros e pelo fornecimento de equipamentos didáticos para a capacitação de engenheiros e técnicos. Outra ação que foi anunciada em 2012, no lançamento do polo aeroespacial de Tupaciguara, também localizada no Triângulo, consiste na liberação de recursos do Estado para a construção do avião executivo Tupã, em parceria com a Axis Aerospace, para que a aeronave possa voar, no mais tardar, em dois anos.

O modelo de cooperação com a francesa Price Induction deverá ser definido entre o fim de março e o começo de abril, informou Marco Antônio Sala, quando o governo de Minas pretende reunir o alto comando da Price em Belo Horizonte com empresas e investidores brasileiros na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). “Temos um canal aberto. A Price poderá transferir integralmente a sua tecnologia para o desenvolvimento de um produto brasileiro em Minas, algo que nenhuma empresa americana ou canadense se propôs a fazer, ou se associar a empresários interessados em investir no setor”, afirmou o coordenador do projeto.

Em encontro recente com o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Nárcio Rodrigues, Stéphane Brand estimou que o custo de desenvolvimento da tecnologia de produção de turbinas a gás exigiria investimentos iniciais em torno de R$ 100 milhões. Se o governo conseguir atrair a fábrica de turbinas, será a primeira planta industrial de turbinas a gás abaixo da linha do Equador, destacou Marco Antônio Sala. “Sabemos que temos muito chão pela frente até que o estado possa produzir uma turbina para avião. É um trabalho de longo prazo para o desenvolvimento de um produto muito complexo”, observa.

Desenvolvimento

Imaginar uma produção mineira implica todo o desenvolvimento da tecnologia e do produto por etapas. A primeira delas é chegar à turbina a gás para turbogeradores elétricos. A Price estaria disposta ainda a estudar o fornecimento de motores para os chamados Vants, veículos aéreos não tripulados, com autonomia para 25 horas. A intenção do governo estadual é estruturar o Centro Nacional de Desenvolvimento de Turbinas a Gás com três laboratórios, de câmara de combustão, de sistemas para turbinas a gás e de materiais e processos de fabricação. A Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) participa do projeto.