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Caçador de relíquias


A caçada começou há mais de 20 anos. Hoje, são 120 aeronaves, mas cada nova aquisição é comemorada com a empolgação do primeiro avião comprado, um Cessna-195, de 1950.

João Amaro, 68, presidente do Museu da TAM, em São Carlos (232 km de São Paulo), ao lado do irmão, Rolim Amaro, fundador da companhia aérea, idealizou e montou o acervo, onde hoje funciona também um centro de manutenção de aeronaves.

Os irmãos pensaram inicialmente em construir um teatro, mas desistiram da ideia por não ter a cara deles. Depois, surgiu a ideia de um estádio de futebol, mas concluíram que precisariam de muitos parceiros para a obra e o projeto foi guardado.

Foi em um churrasco, no final da década de 80, que amigos sugeriram que montassem o museu. Os irmãos já tinham quatro aviões antigos que usavam para voos de lazer e gostaram da ideia de unir o hobbie ao projeto. 

 De motocicleta –outra paixão que os irmãos compartilhavam até a morte de Rolim, em um acidente de helicóptero, em 2001–, percorreram o interior de Argentina e Chile em busca de fazendeiros donos de aeronaves antigas.

O museu, no entanto, só começou a ser construído dez anos depois.

O local, uma fábrica desativada de tratores –a CBT Companhia Brasileira de Tratores–, foi escolhido pelo tamanho, que proporcionaria não só abrigar o acervo, mas também a instalação da oficina de reparos nas aeronaves da companhia aérea.

"As pessoas vão ao aeroporto e não veem aviões. Queríamos que elas tivessem essa oportunidade aqui."

O museu foi inaugurado em 2006 e, desde então, Amaro disse que mensalmente é procurado por pessoas interessadas em doar aeronaves.


LOTADO

O local foi fechado em 2008 para uma expansão, que fez o hangar que abriga os aviões passar de 9.000 m² para 22 mil m². Quase sem espaço para novos aviões, hoje Amaro disse dar preferência para receber aeronaves com importância histórica e que tenham condições de voo.

Ele disse ainda dar umas escapadas com aviões do acervo. Alguns têm até apelido, como é o queixo duro, um Curtiss-Robin C2, de 1928. "Ele é difícil de entrar em curva, mas quando entra, depois não quer sair", afirmou.

Amaro disse que o museu, que recebeu inicialmente R$ 30 milhões de investimento, dos quais 40% foram por meio de incentivos do governo, só pôde ser construído devido à saúde financeira da TAM, companhia que se firmou nos anos 80.

"Enquanto as outras companhias brasileiras foram para o aeroporto de Guarulhos, nós nos firmamos em Congonhas e apostamos nos aeroportos menores. E nos destacamos." Em junho de 2012, a TAM se fundiu com a chilena LAN, formando a Latam. 

Desde a morte do irmão, há 13 anos, Amaro se dedica exclusivamente ao museu. Para os próximos anos, afirmou ter planos de levar o acervo documental da empresa para São Carlos.

O museu, que fica a 15 quilômetros do centro da cidade, abre de quarta-feira a domingo, das 10h às 16h. O ingresso (inteira) custa R$ 25. Informações: (16) 3306-2020. 

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