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Aos 104 anos, vovó realiza 'último desejo' e viaja de avião pela 1ª vez


O sonho de Maria Sivieiro Lopes, de 104 anos, sempre foi andar de avião. Depois que a dona de casa ultrapassou a marca de um século, o passeio ganhou contornos de "último desejo na vida" e foi realizado na manhã deste sábado (1º) em Piracicaba (SP). Moradora no município desde que nasceu, a idosa foi levada pela sobrinha e três filhos ao Aeroporto Comendador Pedro Morganti e, em voo de aproximadamente 20 minutos, ela pôde aproveitar o feito. Agora, ela tem nova aventura.

Mãe de sete filhos, cinco deles vivos, Maria foi casada duas vezes e ainda hoje espera encontrar um companheiro. Lúcida e sem problemas graves de saúde, Maria aproveitou o passeio. Passados os primeiros segundos de apreensão durante a decolagem, ela não parou de olhar para a janela e ainda teve bom-humor para rebater as provocações do filho Irineu Lopes, de 66 anos: "Olha mãe, não quer descer no cemitério?" perguntou ele. "Só vou morrer depois que enterrar você ali", disse ela sorrindo. A reportagem do G1 acompanhou a aventura de mãe e filho.

A fala de Lopes é fruto das brincadeiras que a própria Maria faz sobre a morte. "Ela prometeu que vai enterrar os filhos antes de morrer. E eu não duvido. Minha mãe está muito mais saudável do que muita gente até hoje,", disse ele quando curtia a paisagem sobre Rio Piracicaba

Apesar da idade, Maria esbanja saúde. Ela anda com a ajuda de uma bengala, ouve e fala sem qualquer dificuldade. A dona de casa também não tem diabetes, nenhum problema de pressão alta e nenhuma dificuldade cardíaca. Quando questionada se sofre de alguma doença, ela responde: "A única coisa que tenho é vinho na barriga." Os filhos relatam que ela bebe um galão com quatro litros de vinho por semana, além de uma lata de cerveja por dia. Remédios são poucos e as visitas a médicos continuam raras, relatam os familiares.

Sonho e tragédia

A "fada madrinha" do sonho foi a empresária Magali Lopes, de 50 anos, que é sobrinha de Maria. "Ela sempre falava nisso e contou que, no passado, viajaria com o marido e com um primo que era aviador, mas que morreu em um acidente aéreo. Essa semana, procurei um amigo que tem uma aeronave e ele me ajudou. Não é um avião grande, mas já deu para sentir a emoção", disse Magali que aguardou a tia no aeroporto durante o passeio.

O comandante encarregado de transportar Maria foi o instrutor de voo João Florindo, de 34 anos. Ele contou que o aeroclube chega a realizar entre 10 e 15 voos panorâmicos por fim de semana, em diversas circunstâncias. "Já levei aniversariante, criança e até mesmo um pedido de noivado. Mas creio que esta aqui é a situação mais inusitada que já vivi em três anos", disse.

Depois de descer do modelo Arrow- 200, Maria considerou o "último desejo" realizado, mas os familiares creem que a matriarca ainda desfrutará, em vida, de muitos outros desejos. "Foi tudo muito bão", disse a idosa logo que desceu do avião.

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