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Anac: envolvidos em esquema continuam trabalhando

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Pilotos de avião e helicóptero envolvidos no esquema de corrupção da Anac (Agência Nacional da Aviação Civil) que o Jornal da Band mostrou nesta quinta-feira continuam trabalhando normalmente. Quase quatro anos depois da descoberta da fraude nas habilitações de mais de 60 profissionais, a investigação está parada na Polícia Federal. Um dos principais acusados de forjar as licenças começou como estagiário na Anac. Ele está preso, mas por outro crime.

São Paulo tem cerca de dois mil pousos e decolagens de helicópteros por dia, é o maior movimento do mundo e deve dobrar durante a Copa do Mundo. Isso sem falar no aumento do fluxo de aviões, o que também vai contribuir para o congestionamento do espaço aéreo.

Para piorar, muitos comandantes sequer têm autorização para pilotar determinadas aeronaves. Nesta quinta-feira o Jornal da Band mostrou com exclusividade como funciona a fraude no sistema de habilitação de pilotos brasileiros.

São mais de 60 pilotos investigados que atuam no Brasil e no exterior sem qualificação. Com pagamento de propina, eles conseguem falsificar exames e licenças de voo, colocando em risco a vida de milhões de passageiros. 

O esquema, descoberto há quase quatro anos é tão grave que a Anac resolveu transferir o setor de habilitação de São Paulo para o Rio de Janeiro. Em 2010, a Anac enviou o processo para a Procuradoria da República. Em 2012, o relatório foi repassado para as mãos da Polícia Federal. Quase dois anos se passaram e o inquérito ainda não foi concluído.

Enquanto isso, profissionais envolvidos no esquema continuam em atividade.

Perrella

Em novembro do ano passado, um dos principais investigados foi preso por outro crime no Espírito Santo: tráfico internacional de drogas. O empresário e ex-despachante aeronáutico Alexandre José de Oliveira Júnior foi flagrado pela Polícia Federal transportando mais de 400 quilos de cocaína em um helicóptero da família do senador mineiro José Perrela, que nega qualquer participação no caso. Júnior é apontado pela Anac como responsável pela fraude na habilitação de 12 pilotos. Um despachante ouvido no processo confirma a denúncia.

Outro golpe, mais antigo, continua presente na aviação brasileira. Ele é conhecido como Hora Bic, porque, há alguns anos, pilotos forjavam na canetada o tempo de voo nas carteiras profissionais. Aa falsificação ainda é usada por recém-formados que precisam comprovar experiência para conseguir emprego ou subir de categoria. Eles lançam na base de dados horas voadas sem sair do chão.

Mesmo com o novo processo eletrônico usado pela Anac, pilotos afirmam que é possível burlar o sistema.

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