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SC: Arcanjo já fez pelo menos 2,6 mil missões

Foto: resgateaereo.com
Há quase quatro anos, o imponente helicóptero vermelho corta os céus catarinenses a mais de 200 km/h com apenas um objetivo: salvar vidas. Não é à toa que o Arcanjo recebeu esse nome quando iniciou os trabalhos de salvamento no dia 20 de janeiro de 2010. Lá de cima, seis pessoas monitoram diariamente as praias catarinenses na temporada para prevenir acidentes, fazer resgates e prestar o atendimento a vítimas em emergências em terra ou no mar.

O helicóptero do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e da Secretaria de Estado de Saúde é o único usado para as mesmas funções do Samu, mas com a possibilidade de procedimentos mais complexos. É acionado quando o tempo de deslocamento é mais eficiente por ar do que o de uma ambulância e quando a gravidade do acidente exige o atendimento mais avançado, com os equipamentos disponíveis para os primeiros socorros das vítimas.

O acionamento ocorre conforme a avaliação da central de triagem dos serviços de emergência que atendem pelos telefones 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Bombeiros). Ou seja, nem sempre as ocorrências serão atendidas pelo Arcanjo. As estatísticas são consideradas separadamente das feitas pelos Bombeiros.

O Arcanjo realizou pelo menos 2,6 mil missões entre 20 de janeiro de 2010 e 2 de janeiro de 2014, com 2.278 pessoas socorridas. Entre as principais ocorrências estão acidentes de trânsito (651), emergência cardiovascular ou respiratória (375) e afogamento/acidente náutico (174). A equipe é formada por sete pessoas, sendo que uma serve como apoio em solo. Dentro do helicóptero vão o piloto — responsável pelas manobras aéreas — um copiloto — que gerencia a ocorrência e faz o pedido de mais viaturas, motos aquáticas ou outro tipo de apoio para o atendimento —, um médico, um enfermeiro e dois tripulantes.

Em casos de afogamento que seja necessário resgatar as vítimas, um dos tripulantes serve como fiel, ou seja, orienta o piloto para as manobras e joga a puçá — uma espécie de cesto que auxilia no salvamento —, enquanto outro tripulante desce ao mar para auxiliar a vítima.

Segundo o comandante do Batalhão de Operações Aéreas dos Bombeiros, tenente-coronel Edupércio Pratts, o helicóptero é um apoio ao primeiro atendimento realizado pelos guarda-vidas nas praias em que eles estão presentes. Em acidentes de trânsito, por exemplo, em que uma ambulância não conseguiria chegar em curto espaço de tempo, o atendimento do Arcanjo se torna essencial.

Imprudência é sinalizada

O tenente-coronel Edupércio Pratts salienta que o Batalhão de Operações Aéreas dos Bombeiros costuma monitorar as praias que têm as correntes de retorno, conhecidas como repuxo.

— Quando avistamos pessoas próximas desses locais, fazemos sinais do helicóptero ou contatamos os guarda-vidas em terra por rádio para que eles alertem os banhistas — explica o comandante.

Prattes lamenta que a maior parte dos afogamentos ainda seja causada pela desobediência à sinalização colocada nos locais que apresentam perigo.

— Apesar de os guarda-vidas estarem presentes em 153 praias catarinenses e espalharem bandeiras vermelhas (que significam mar perigoso – não entre na água) nos pontos críticos, ainda é comum o atendimento de casos em que as pessoas entram em correntes de retorno, ignorando todos os avisos. 

Ele destaca que ainda há desconhecimento sobre o significado das bandeiras, principalmente por parte dos jovens, que não costumam interagir com os guarda-vidas para obter informações sobre as condições do mar. E são justamente os repuxos a principal causa de arrastamentos — quando a pessoa é puxada para longe da areia — e, consequentemente, dos afogamentos. 

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