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Os aviões da Europa


Há anos, a Europa, com o Airbus, e os Estados Unidos, com o Boeing, dividem entre si o domínio do céu. Em geral, metade para cada uma.

Nos últimos anos, a Boeing esteve em vantagem. Mas ontem fomos informados de que a Airbus fez um retorno fulgurante. Em 2013, a Airbus não só passou a Boeing, como também bateu seus próprios recordes.

As cifras são espantosas. A Airbus recebeu pedidos no valor de US$ 240 bilhões, e a Boeing, de US$ 216 bilhões. A Airbus hoje tem entregas previstas para 5.559 aviões, ou seja, ela tem nove anos de produção assegurados. Igualmente importante é o detalhe das categorias de aeronaves: este ano, a companhia europeia supera a americana em todos os segmentos do mercado.

Tradicionalmente, a Boeing garantia seu triunfo principalmente entre as companhias com rotas de longos percursos, enquanto a Airbus se destacava nos percursos curtos e médios (com o A 320). Evidentemente, as companhias com rotas de longos percursos são mais lucrativas do que as de médio percurso. Ocorre que, este ano, esta divisão dos papéis foi superada. A Airbus mostra sua excelência também na categoria dos longos percursos.

Em 2013, foi vendido para as empresas que operam em rotas de longos percursos um número de aviões A 330 e A 350 superior ao dos 767, 777 e 787 da Boeing. Mas, principalmente, a Airbus conseguiu fazer decolar seu gigantesco A 380, um verdadeiro monstro voador pelo qual, até agora, as companhias não se mostravam interessadas, a ponto de parecer um "acidente industrial" e de estragar o sono dos financiadores do Airbus.

Mas, no fim do ano, abriu-se uma janela: foram feitos 50 pedidos do A 380. Desse modo, o Superjumbo da Boeing, o 747.8, ficou muito para trás.

Este número fantástico representa ao mesmo tempo um veredito da situação das economias mundiais. Se em matéria de fabricação de aviões a Europa e os Estados Unidos são as maiores, por outro lado, quanto ao uso dos aviões, as outras regiões é que estão à frente. As aeronaves Boeing e Airbus são compradas em parte pela Ásia: Air-Asia (Malásia) e Lion-Asia (Indonésia) - e, evidentemente, pelos países do Golfo, principalmente Dubai.

Há também outro grande cliente, o Japão. Até agora, este país adquiria principalmente Boeings. Este ano, a Japan Airlines comprou 56 A350, pela soma de US$ 9,5 bilhões. A Airbus acredita que, dentro de alguns anos, 50% dos aviões das linhas japonesas serão europeus.

Esse balanço espantoso parece desmentir uma lei clara da economia segundo a qual uma moeda excessivamente forte, supervalorizada, comporta desvantagem mortal para a exportação. É o caso dos aviões: o euro, a moeda comum europeia, é extremamente forte e claramente supervalorizado. Normalmente, a venda de aviões deveria ser prejudicada por uma moeda europeia supervalorizada, principalmente pelo fato de as vendas girarem em torno de somas gigantescas. Evidentemente, não é este o caso. As vendas não foram prejudicadas pelo euro forte. A qualidade do produto compensa consideravelmente a diferença de preço.

O mesmo fenômeno pode ser observado no que diz respeito aos setores caros e de alto nível nos quais Alemanha e Itália do Norte são especialistas. Nos dois casos, o euro forte não compromete a prosperidade desses dois polos industriais. Evidentemente, essa observação vale apenas para os produtos de enorme valor agregado. Para produtos banais e correntes, o euro forte torna-se um obstáculo muitas vezes difícil de superar.

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