Curso da USP abastece setor aeronáutico em São Carlos


A concentração de empresas ligadas ao setor aeroespacial em São Carlos (232 km de São Paulo) está ligada à produção de mão de obra qualificada na área. 

Segundo Fernando Catalano, chefe do departamento do curso de engenharia aeronáutica da USP, essa oferta de profissionais se intensificou desde a década de 80, quando o curso de engenharia mecânica já formava alunos com ênfase em aeronáutica.

Em 2002, a USP (Universidade de São Paulo) criou o segundo curso de engenharia aeronáutica do país – o primeiro foi o do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos.

No curso de graduação da USP São Carlos, já se formaram 230 profissionais. A cada ano são oferecidas 40 vagas.

O início do curso coincidiu com a instalação da Embraer em 2001, no município de Gavião Peixoto, a 77 km de São Carlos. Hoje, a fábrica emprega 1.900 trabalhadores. 

Segundo a empresa, um dos aspectos levados em consideração na escolha da cidade para a fábrica foi a oferta de mão de obra qualificada, "em instituições de ponta".

No ano passado, o Instituto Federal de São Carlos, que funciona nas dependências da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), abriu o curso técnico em manutenção de aeronaves. São 40 vagas por semestre, com três anos de duração.

"A demanda tem sido grande e vai aumentar com a TAM [que deve ampliar o centro de manutenção] e a Embraer [em Gavião, vai construir o KC-390, maior avião já feito no país, ao custo de R$ 1,19 bilhão]", disse Rodrigo Cristian Lemes, professor e primeiro coordenador do curso.

De acordo com ele, o instituto está investindo R$ 12 milhões num prédio para abrigar toda a infraestrutura do curso de manutenção.

Em 2012, o Senai reativou o curso de técnico de manutenção de aeronaves, criado em 2005 e que formou só uma turma, a pedido da TAM.

Marcos Antonio Escareli, coordenador do curso, diz que a quase totalidade dos formados deve ser empregada pela TAM e a Embraer.