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Casos de narcotráfico com aviões aumentam em Mato Grosso

Aeronave apreendida pela PF
Os casos de quadrilhas que utilizaram aeronaves de pequeno porte para o transporte de drogas, entre a Bolívia e Mato Grosso, aumentaram no ano de 2013, de acordo com a Delegacia Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado (DRCOR) da Polícia Federal de Mato Grosso. Grupos criminosos que usaram o Pantanal mato-grossense como local de pouso dos aviões também foram alvos de investigações e operações da PF.

Ao G1, o delegado regional da DRCOR, Dennis Cali, afirma que a maioria dos traficantes investigados ou presos são brasileiros. Em 2013, cerca de 60 pessoas foram presas pela PF por tráfico de drogas. “Já existiam casos de tráfico através de aeronaves, mas não com a mesma intensidade. Um fato que poderíamos reputar isso é o poderio econômico dessas organizações que aumentou”, pontuou Cali.

Mesmo com aeronaves em valores entre R$ 500 mil até R$ 700 mil, a PF acredita que as quadrilhas possam de alguma forma ter conseguido barateado aviões ou simplesmente roubado. Como o que aconteceu em agosto de 2013, no município de Cocalinho, a 765 km de Cuiabá.

Na ocasião, três homens armados se passaram por clientes para contratar um voo e obrigaram o piloto da aeronave e ingerir um líquido, que seria um tipo de sedativo. A vítima desmaiou e foi abandonada em uma região de mata, tendo o avião levado pelos assaltantes.

“Para nós, é bem mais difícil a abordagem. Esses voos são clandestinos, sem comunicação à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Alguns dos locais de pouso também são em pistas clandestinas. E se essa pista é dentro de uma fazenda particular, dificulta ainda mais”, completou o delegado da PF.

Entre 2012 e 2013 as apreensões de cocaína em Mato Grosso, ainda pela PF, aumentaram mais de 20%: 4,7 toneladas em 2013 e 3,7 toneladas em 2012. A explicação, conforme o delegado, seria o aumento de operações e maior seletividade nas investigações.

Outro fato chamou a atenção dos policiais em 2013: o aumento de apreensões de drogas ilícitas, como o comprimidos de ecstasy. “O perfil de usuário desse tipo de droga é mais de moradores do sudeste. Esse ano tivemos mais shows na capital, principalmente eletrônicos, que também é mais do perfil desses usuários”, pontou.

Além do aumento de apreensões de droga, a PF comenta também o aumento na apreensão de bens dos traficantes. “Houve a descapitalização dessas organizações, apreendemos mais carros, aeronaves e dinheiro, tanto em reais e dólares”, disse o delegado.

Um dos casos citados pelo delegado é o de julho de 2013 quando um avião com mais de 400 quilos de cocaína foi apreendido em uma pista de pouso de um hotel que abriga uma reserva natural, em Poconé, a 104 quilômetros de Cuiabá, região do Pantanal mato-grossense.

Dois homens que seriam traficantes reagiram e foram mortos após tiroteio com policiais federais. Os suspeitos iriam receber a droga da aeronave que tinha chegado da Bolívia e aterrissado em solo mato-grossense. Além da droga, também foram apreendidos mais de US$ 770 mil e duas pistolas.

Para a PF, a nova preferência das quadrilhas na região do Pantanal se dá pelo fato dessa área ser de difícil acesso, praticamente alagada e inóspita, mais voltada para o manejo de gado.

O tráfico internacional também foi alvo de uma operação em outubro, batizada de 'Touro Branco'. Três aeronaves foram apreendidas em Mato Grosso e em outros quatro estados. A operação prendeu 16 pessoas nos estados de Mato Grosso, Goiás,  Rio Grande do Norte, Pará e São Paulo.

A operação recebeu esse nome por causa de traficantes que utilizavam várias vezes o termo 'touro branco' durante as negociações envolvendo o tráfico de entorpecentes, tentando simular a compra e venda de gado na tentativa de despistar a polícia em eventuais interceptações telefônicas.

Rota do tráfico

A principal 'rota' utilizada pelas quadrilhas é a que sai da Bolívia, passa por Mato Grosso até chegar na região sudeste do país. A dificuldade no combate da polícia está justamente na região da fronteira com o país boliviano: são 780 quilômetros de fronteira entre seca e fluvial.

O combate ao narcotráfico nesse trecho fica por conta da Polícia Militar das cidades, Grupamento Especial de Fronteira (Gefron) e postos de controle da PF. O principal posto federal é o do Distrito de Corixa, em Cáceres, a 250 km da capital. O combate ao tráfico de drogas também é feita na parceria entre os dois países.

“Percebemos que são vários grupos que atuam. Não há a figura centralizada de apenas um comandante, há vários grupos que atuam no tráfico de drogas”, comentou Cali. Um 'ponto positivo', segundo a PF, são as constantes denúncias de moradores das regiões fronteiriças.

"Nosso principal canal de investigação é através das denúncias anônimas. Quando a população percebe uma aeronave sobrevoando, carros diferentes transitando, logo levantam suspeita. As pessoas dessas cidades sabem quais são os veículos que habitualmente circulam. Desconfiam de pessoas e sotaques diferentes. A insegurança da faixa de fronteira faz com que a população denuncie mesmo", concluiu.

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