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Aeroportos não estão preparados para situações atípicas

Problema semelhante aconteceu no Rio onde passageiros protestaram sobres as asas dos aviões
Com o fechamento de aeroportos por conta do mau tempo, passageiros de aeronaves que não seguiram viagem passaram por transtornos devido a falta de preparo e desorganização, tanto das companhias aéreas como das autoridades da aviação. Planos de ação para estes casos precisam ser desenvolvidos.

Sem água e comida

Passageiros, que estavam em sete voos que foram desviados para o Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas (SP), reclamaram do descaso das companhias aéreas e também da administração do terminal por conta da falta de informações e pelas até quatro horas dentro das aeronaves sem água e comida. Os problemas ocorreram após o temporal na tarde de sexta-feira (24), que comprometeu as operações aéreas de São Paulo.

O professor de Curitiba (PR) Toni Reis  reclamou da situação e disse que precisou “escapar” da aeronave, já que a saída não tinha sido liberada pela empresa. "Não tem apoio aos passageiros, eu saí de lá porque estava impossível depois de quatro horas. As pessoas estavam gritando, crianças chorando. Não tem apoio nenhum para os passageiros e é uma desinformação”, desabafa. “Eles não estão querendo liberar as pessoas. Depois, quem estava sem bagagem pode descer, mas quem estava com mala não conseguiu", disse a estudante Fernanda Russo.

"O comandante falou que, por problemas climáticos em São Paulo, a gente não poderia desembarcar lá e que o voo estava sendo desviado para cá [ Viracopos]. Ao chegar aqui disse que estava tendo muito desvio para cá.Nós ficamos três horas dentro da aeronave esperando”, explica a pedagoga Marinilda Bisaia. Segundo a passageira do voo da Gol, depois deste período não tinha mais água e comida para os passageiros e tripulantes. "A culpa acho que é daqui [Viracopos] que não está comportando a demanda", opina.

Segundo a concessionária que administra o terminal, o tráfego aéreo não comportou a sobrecarga e, por isso, passageiros de parte das aeronaves que seguiriam para a capital chegaram a esperar até quatro horas no pátio, dentro do avião.

A assessoria de imprensa da Concessionária Brasil Viracopos afirmou que das sete aeronaves desviadas para a cidade, quatro permaneceram na fila até 21h, sendo que uma delas aterrissou no aeroporto às 17h. O procedimento, nesses casos, impede que o passageiro desça da aeronave para aguardar nas salas de embarque.

Por meio de nota, tanto as empresas aéreas quanto a concessionária lamentaram os transtornos e justificaram que as alterações foram necessárias para garantir a segurança dos passageiros.

Posto sem funcionários

Os passageiros também encontraram dificuldades depois do desembarque em não localizar responsáveis para o registro das queixas e orientações. "Depois de ficar trancado dentro da aeronave sem água e sem alimentação, a gente chega ao pátio não tem funcionários para atender. Estou estressada de tanto esperar", disse a professora de Florianópolis (SC) Marta Vanelli.

No posto de atendimento ao público, a reportagem da EPTV, afiliada da Rede Globo, não encontrou nenhum responsável pelo SAC da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na porta estava um aviso com duas informações, a primeira sobre o horário de atendimento presencial que é feito de segunda a sexta-feira das 6h até as 0h, e a outra estava pendurada com o aviso de "Volto logo". Por telefone, a reportagem procurou a Anac, mas até esta publicação não recebeu retorno.

Companhias Aéreas

Entre os voos que ficaram parados no pátio com passageiros, havia cinco aviões da TAM e dois da GOL. A TAM informou, em nota enviada às 22h45, que as aeronaves de sua responsabilidade já haviam decolado para São Paulo. A empresa lembra que o desvio de rota ocorreu por adversidades meteorológicas e lamenta os transtornos causados aos clientes. A companhia aérea afirmou, ainda, que ofereceu atendimento aos passageiros e que as ações visaram "garantir uma operação segura" aos clientes.

Já a GOL informou que optou pelo cancelamento dos voos e deslocamento dos passageiros até São Paulo por transporte rodoviário. Também em nota, a empresa admite que os passageiros dos voos que vinham de Montevidéu e de Brasília ficaram por até quatro horas no pátio porque, segundo a companhia, a área de estacionamento das aeronaves para desembarque estava lotada.

A GOL também garantiu que os passageiros que fariam conexões na capital paulista seriam reacomodados em outros voos e receberão hospedagem e alimentação. A empresa encerra lamentando o ocorrido e também afirma que o procedimento, ainda que indesejado, é necessário para a operação aérea em segurança.

Congestionado

A empresa que administra o terminal informou que quando o aeródromo recebeu a demanda das aeronaves que seguiriam para São Paulo, o controle de tráfego local avisou que não tinha capacidade para recebê-las. Apesar disso, segundo a assessoria, os pousos ocorreram porque os aviões estariam sem combustível suficiente para se locomover até outro aeroporto.

As aeronaves, diante disso, entraram em uma fila de decolagem que priorizava os voos que já estavam previstos para o aeroporto de Campinas, daí a demora, segundo a empresa. Ainda de acordo com a concessionária, a espera se estendeu porque o terminal já estava sobrecarregado com o aumento de fluxo do fim de semana. A assessoria de imprensa não foi localizada após a informação da GOL sobre a lotação nas áreas de estacionamento para comentar a questão.

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