Les Echos: Embraer saiu ganhando


A vitória do Gripen na licitação para a compra de caças pelo Brasil continua dando o que falar na imprensa francesa. O jornal Les Echos desta quinta-feira, 26 de dezembro de 2013, traz dois artigos analisando as consequências da compra dos 36 caças para a construtora sueca de aviões Saab e para a brasileira Embraer. 

Apesar da vitória do Gripen na licitação para a compra de caças pelo Brasil a construtora sueca de aviões Saab vai controlar custos e cortar pessoal. Segundo o diário econômico Les Echos, a vitória da licitação brasileira garante o futuro do caça sueco. O contrato, avaliado em 4;5 bilhões de dólares, vai reduzir os riscos financeiros ligados ao desenvolvimento da nova geração do Gripen negociada com o Brasil, o Gripen NG.

Mas apesar desse contrato, que é o maior da história da empresa, a Saab sofre, como todos os outros construtores aeronáuticos ocidentais, de cortes nos orçamentos de defesa e militar. Resultado: a empresa, que emprega 14 mil pessoas e tem um volume de negócios de 2,7 bilhões de euros, vai demitir entre 150 a 250 pessoas.

Embraer

Para o Les Echos, quem sai ganhando com essa licitação para a compra de caças é a Embraer. A empresa brasileira será associada na fabricação do Gripen NG e vai receber todas as informações industriais da Saab. Com isso, a Embraer espera um dia produzir e vender seus próprios caças de combate.

A expectativa é ampliar o volume de negócios do setor de defesa que hoje representa 20%, isto é, cerca de 1,2 bilhão de dólares. Um empresário citado pelo Les Echos avalia em 10 bilhões de dólares o retorno econômico para a Embraer nessa associação para a construção de caças no Brasil.

Mas o contrato para a venda dos Gripen é complexo justamente por causa dessa transferência de tecnologia para o Brasil e a negociação final entre Brasília e Estocolmo deve durar entre um a dois anos, acredita o Les Echos.